Pallade Veneta - Crise em Ceuta abre nova frente para premier da Espanha

Crise em Ceuta abre nova frente para premier da Espanha


Crise em Ceuta abre nova frente para premier da Espanha
Crise em Ceuta abre nova frente para premier da Espanha / foto: NICOLAS TUCAT - AFP/Arquivos

No momento em que a pressão interna causada pelos incêndios florestais na Espanha começava a diminuir, uma nova frente se abriu para o chefe de governo da Espanha, Pedro Sánchez, com a crise migratória em Ceuta, que despertou críticas de países da União Europeia (UE) e dos Estados Unidos.

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Sem a maioria no Parlamento, o líder socialista, 54, respondeu aos incêndios com um apelo por união para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas, uma de suas principais batalhas desde que assumiu o cargo, há oito anos.

"Acho que a gestão do fogo não afeta a imagem de Sánchez", opinou a cientista política Paloma Román, da Universidade Complutense de Madri. "A crise migratória, sim, colocou muito mais em questionamento, porque eles mesmos dizem que não sabiam que isso iria acontecer. É algo muito negativo para o governo."

As imagens de dezenas de milhares de imigrantes cruzando a pé ou a nado a fronteira entre Marrocos e o enclave espanhol de Ceuta colocaram o governo Sánchez no foco das críticas. Os ministros do Interior da UE vão se reunir amanhã em videoconferência, durante a qual Madri poderá enfrentar o descontentamento de vários países, como a Itália, que já questionou a política migratória espanhola.

Do outro lado do Atlântico, o Departamento de Estado americano considerou a situação em Ceuta "resultado direto" da política migratória espanhola.

- "Combustível" para a oposição -

"São crises de naturezas diferentes. Os incêndios são uma emergência climática estrutural, e a outra é uma coerção relacionada com o Marrocos", ressaltou a professora de ciência política Máriam Martínez-Bascuñán, da Universidade Autônoma de Madri (UAM). "O que Ceuta revela não é que Sánchez tem inimigos pessoais na UE, é algo muito mais grave. É que a solidariedade europeia deixou de ser um princípio e se tornou uma variável de política interna de cada governo."

A sucessão de crises também atinge Sánchez após meses de dificuldades na esfera doméstica, com várias pessoas do seu círculo pessoal ou profissional envolvidas em investigações judiciais.

A crise de Ceuta "serviu de combustível" para os dois principais partidos da oposição (PP, direita, e Vox, extrema direita), que têm posições muito duras sobre a imigração, destacou Paloma Román. Mas o cientista político da Universidade Autônoma de Madri Fernando Vallespín pediu que não se tirem conclusões precipitadas, uma vez que o PP "governa na maioria" das regiões dos incêndios.

As responsabilidades durante emergências recaem inicialmente nas comunidades autônomas da Espanha. O governo central intervém apenas quando solicitado ou quando a situação se agrava, como ocorreu há poucos dias com o incêndio em Ávila, o maior da história do país.

"O PP também é implicado como possível corresponsável pelo abandono do território, uma das razões pelas quais os incêndios são tão brutais", disse Vallespin.

- "Inimigos poderosos" -

O começo do ano político, em setembro, também dará início à reta final para as eleições legislativas de 2027, nas quais a direita espera derrubar Sánchez. "Já estamos em pré-campanha, o que ficará cada vez mais evidente nos próximos meses", ressaltou Paloma Román.

Por esse motivo, apontaram os analistas, PP e Vox não deixaram passar a oportunidade da crise em Ceuta para levar sua disputa com o governo a Bruxelas, onde o socialista está em minoria frente aos líderes conservadores.

Com Sánchez, que se posicionou como um dos líderes progressistas mundiais, por sua oposição a Donald Trump, a política externa "significou muito mais do que nos governos anteriores, e também tem inimigos poderosos além do PP e do Vox no âmbito internacional", destacou Paloma Román.

O.Merendino--PV

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