Pallade Veneta - Brasil perde cobertura de vegetação nativa e enfrenta risco de impacto maior do El Niño

Brasil perde cobertura de vegetação nativa e enfrenta risco de impacto maior do El Niño


Brasil perde cobertura de vegetação nativa e enfrenta risco de impacto maior do El Niño
Brasil perde cobertura de vegetação nativa e enfrenta risco de impacto maior do El Niño / foto: Carlos Fabal - AFP/Arquivos

O Brasil perdeu nas últimas quatro décadas uma área de vegetação nativa duas vezes maior que o tamanho da França, o que aumenta sua vulnerabilidade a fenômenos meteorológicos extremos associados ao El Niño, revela um estudo publicado nesta quarta-feira (12).

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Várias regiões do país se preparam para secas, inundações e incêndios diante da intensificação do El Niño até o fim do ano.

Em seu estudo anual sobre o uso do solo no Brasil, a rede de monitoramento ambiental MapBiomas aponta que a vegetação nativa, que há quatro décadas cobria 79% do território brasileiro, hoje cobre 65%.

As maiores perdas foram registradas na Amazônia e no Cerrado.

Grande parte das áreas é ocupada atualmente pela agricultura ou pela pecuária. As terras destinadas a tais usos ocupam agora 32% do território brasileiro, contra 18% em 1985.

Uma análise do MapBiomas mostra que as regiões dominadas pela agricultura foram mais vulneráveis aos eventos extremos meteorológicos durante três episódios passados de El Niño de grande intensidade.

Tasso Azevedo, coordenador geral do MapBiomas, disse à AFP que as áreas desmatadas da Amazônia registraram "uma queda mais significativa das precipitações em comparação com as áreas florestadas" durante o episódio de El Niño 2023-2024.

Ao mesmo tempo, nas áreas agrícolas do sul foram registradas "precipitações excessivas" em comparação com as zonas de vegetação nativa.

O estado do Rio Grande do Sul sofreu inundações históricas em 2024, que deixaram quase 200 mortos. "O uso do solo não altera o El Niño em si, mas pode mudar o impacto que ele tem", observou Azevedo.

As decisões sobre a expansão das áreas agrícolas "podem influenciar nosso nível de vulnerabilidade", acrescentou.

No mês passado, o governo brasileiro emitiu uma advertência sobre um "El Niño muito forte" neste ano.

Com uma frequência a cada dois a sete anos, o fenômeno aquece as águas do Pacífico equatorial, o que provoca, durante meses, importantes alterações nos regimes de ventos, pressão e precipitações em escala mundial.

Neste ano, a maioria dos modelos prevê um episódio de El Niño de magnitude excepcional, potencialmente o mais intenso já registrado, em meio ao aquecimento do planeta provocado pela atividade humana.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também alertou que um "Super El Niño" pode afetar cultivos cruciais do país, como café, soja e açúcar.

A.Fallone--PV

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