Pallade Veneta - Panamá rejeita ameaça da China por anulação de contrato portuário no canal

Panamá rejeita ameaça da China por anulação de contrato portuário no canal


Panamá rejeita ameaça da China por anulação de contrato portuário no canal
Panamá rejeita ameaça da China por anulação de contrato portuário no canal / foto: MARTIN BERNETTI - AFP/Arquivos

O Panamá rejeitou nesta quarta-feira (4) a advertência da China de que fará o país pagar um "alto preço" por anular o contrato que permitia a uma empresa de Hong Kong operar dois portos no canal, o que eleva o conflito inserido no embate entre Washington e Pequim.

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O governo chinês rejeitou uma sentença que anulou o contrato da empresa portuária CK Hutchison Holdings e a classificou como "extremamente absurda", ao mesmo tempo em que advertiu que o Panamá pagará um "alto preço" se não mudar de rumo, informou a agência Bloomberg.

"Rejeito energicamente o pronunciamento do Escritório de Assuntos de Hong Kong e Macau em razão da decisão da SCJ (Suprema Corte de Justiça) sobre o contrato portuário", assegurou Mulino no X, acrescentando que "o Panamá é um Estado de direito" e respeita as decisões da Justiça.

Em coletiva de imprensa, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, advertiu nesta quarta-feira que seu país "defenderá firmemente os direitos e interesses legítimos e legais das empresas chinesas".

Sem mencionar a China, a chancelaria do Panamá afirmou depois, em comunicado, que a decisão não é "uma determinação de caráter político nem geopolítico", mas "estritamente jurídica".

"Nosso país mantém uma política externa baseada no respeito mútuo, na não ingerência nos assuntos internos dos Estados e na convivência pacífica entre as nações", ressaltou.

A crise eclodiu na quinta-feira passada, quando a Corte anulou o contrato da Hutchison renovado em 2021 por 25 anos, por considerar que a concessão apresentava "uma inclinação desproporcional a favor da empresa", sem "qualquer justificativa" e em "prejuízo dos cofres do Estado".

— O canal em disputa —

Desde seu retorno à Casa Branca há um ano, o presidente Donald Trump tem ameaçado retomar a estratégica via construída pelos Estados Unidos, ao afirmar que ela está "sob controle" de Pequim, embora seja administrada por uma instituição pública panamenha autônoma em relação ao governo.

Segundo o governo americano, esse "controle" é exercido por Pequim por meio da Hutchison, que opera desde 1997 os portos nas duas entradas do canal: Balboa, no Pacífico, e Cristóbal, no Atlântico.

A anulação do contrato foi recebida com entusiasmo por Washington. O secretário de Estado, Marco Rubio, assegurou na sexta-feira passada que "os Estados Unidos se sentem encorajados".

Ao se referir a essa declaração, o porta-voz chinês afirmou que "as palavras e ações dos Estados Unidos voltaram a evidenciar sua mentalidade de Guerra Fria e seu viés ideológico".

"O mundo tem muito claro quem está tentando se apoderar à força do canal do Panamá e minando o direito internacional em nome do Estado de direito", declarou.

— Impugnação —

Na noite de terça-feira, a Panama Ports Company (PPC), subsidiária da Hutchison, anunciou que irá contestar em instâncias internacionais a decisão da Justiça panamenha, embora não tenha especificado suas pretensões.

A empresa acusa o Panamá de lhe causar "graves danos" com a anulação da concessão após "uma campanha do Estado" contra ela.

Mas a Justiça panamenha argumenta que a renovação do contrato foi realizada de forma automática, sem "referendo" da Controladoria e sem a "renegociação" das condições, apesar do crescimento do setor portuário, segundo a sentença.

Após a decisão judicial, o governo panamenho anunciou que a empresa dinamarquesa Maersk assumiria de forma temporária a administração dos terminais portuários até uma nova concessão.

A decisão chegou em meio a um demorado processo de venda dos portos que a Hutchison anunciou em março de 2025 para ceder sua participação nas terminais panamenhas a um grupo de empresas liderado pela americana BlackRock, como parte de um pacote avaliado em 22,8 bilhões de dólares (R$ 119,3 bilhões).

Os Estados Unidos, que inauguraram o canal em 1914, e a China são os principais usuários da rota, por onde transita cerca de 5% do comércio marítimo mundial.

N.Tartaglione--PV

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