Pallade Veneta - Corte de internet vira instrumento de repressão cada vez mais frequente, diz executivo da Proton

Corte de internet vira instrumento de repressão cada vez mais frequente, diz executivo da Proton


Corte de internet vira instrumento de repressão cada vez mais frequente, diz executivo da Proton
Corte de internet vira instrumento de repressão cada vez mais frequente, diz executivo da Proton / foto: Fabrice COFFRINI - AFP/Arquivos

Os recentes cortes de internet em países como o Irã mostram a tendência de alguns governos de sacar a arma do bloqueio total do acesso à rede para amordaçar a dissidência, alerta um responsável da empresa especializada Proton.

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A Proton, empresa suíça conhecida por seus serviços de mensagens criptografadas e de rede privada virtual (VPN, na sigla em inglês), observa há anos como governos autoritários aplicam "a censura como estratégia" na internet, explicou à AFP seu chefe de produtos, Antonio Cesarano.

Com uma VPN, os internautas podem acessar com segurança um servidor, o que reforça o anonimato na rede e frequentemente permite contornar restrições locais de acesso à internet.

A Proton criou em 2023 o Observatório VPN, uma organização sem fins lucrativos que analisa a demanda por seus serviços e, assim, detecta de forma indireta casos de repressão governamental e violações da liberdade de expressão.

"Quando detectamos uma atividade anormal em nossa infraestrutura, podemos antecipar um acontecimento iminente", afirma Cesarano, porta-voz da Proton na luta contra a censura na internet e na defesa das liberdades online.

Como exemplo, ele cita "picos consideráveis de demanda" observados em países como Irã, Uganda, Rússia e Mianmar antes de campanhas de censura que costumam acompanhar a repressão.

Há anos, o Observatório estuda a atuação de governos autoritários que, diante de distúrbios ou protestos, decidem bloquear redes sociais, restringir o acesso à internet ou declarar ilegais as VPNs.

Pouco antes do último corte de internet no Irã, em 8 de janeiro, o Observatório constatou um aumento de 1.000% no uso dos serviços de VPN da Proton, o que indicaria que a população estava ciente de que o acesso à rede poderia ser restringido de forma iminente.

O uso de VPNs também disparou na Venezuela no início do ano, com crescimento de 770% nos dias seguintes à captura do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, segundo o Observatório.

Em Uganda, as assinaturas de serviços de VPN aumentaram 890% nos dias que antecederam as eleições realizadas em janeiro, de acordo com a mesma fonte.

- "Uma medida extrema" -

Segundo Cesarano, começa a se consolidar uma nova tendência: cortes totais de internet, usados "três vezes em seis meses".

A mais recente foi o megacorte imposto no Irã, onde mais de 90 milhões de habitantes ficaram sem internet por quase três semanas em janeiro, o que permitiu encobrir a repressão sangrenta aos protestos, que deixou milhares de mortos, segundo ONGs de defesa dos direitos humanos.

Ele também mencionou o bloqueio de uma semana em Uganda antes das eleições e a falha geral de telecomunicações no Afeganistão em outubro.

"Um corte total de internet é muito preocupante, pois é uma medida extrema", afirmou, destacando que esse tipo de ação praticamente paralisa a economia.

Cesarano acrescentou que alguns países aproveitam cortes prolongados para desenvolver capacidades de censura.

Por sua vez, David Paterson, diretor-geral da Proton VPN, apontou que esse desenvolvimento repentino dessas capacidades pode indicar que alguns países estão "vendendo" essa tecnologia de censura "como um serviço".

"Nos últimos dois anos, constatamos o uso da tecnologia chinesa do 'grande firewall' por Mianmar, Paquistão e alguns países africanos", disse.

Em Mianmar, onde VPNs são ilegais, autoridades usam aplicativos falsos "como armadilhas" para identificar dissidentes. Em outros países, a polícia também verifica celulares para detectar o uso dessa tecnologia.

U.Paccione--PV

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