Polícia britânica prende o ex-príncipe Andrew por acusação relacionada ao caso Epstein
A polícia inglesa prendeu o ex-príncipe Andrew nesta quinta-feira (19), dia do seu 66º aniversário, por "suspeita de má conduta no exercício de um cargo público" durante o período em que atuou como enviado comercial, uma acusação relacionada ao caso Epstein.
A polícia de Thames Valley, onde fica a residência Royal Lodge, imóvel em que Andrew morou até recentemente, confirmou em um comunicado a detenção, que havia sido antecipada pela imprensa britânica.
"Como parte da investigação, hoje prendemos um homem na casa dos 60 anos, de Norfolk, sob suspeita de má conduta no exercício de um cargo público", afirmou a polícia em um comunicado, que não revela o nome do suspeito, como é habitual no Reino Unido.
O comunicado da polícia informa que operações de busca estavam em curso em dois endereços na Inglaterra, aparentemente relacionadas com as acusações.
No dia 11 de fevereiro, novos documentos vieram à tona e parecem indicar que o irmão do rei Charles III repassou informações confidenciais a Jeffrey Epstein. O Ministério Público informou que está "em contato" com a polícia sobre as suspeitas.
O ex-príncipe, hoje afastado da vida pública, era então representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional, cargo que ocupou entre 2001 e 2011.
- Contatos com Epstein -
Segundo um e-mail enviado ao financista e agressor sexual americano, com data de 24 de dezembro de 2010, o ex-príncipe teria encaminhado "um relatório confidencial" sobre oportunidades de investimento no Afeganistão.
O e-mail é mais um dos documentos, também incluídos nos arquivos Epstein, que sugerem que, em 2010, Andrew enviou ao financista relatórios sobre viagens de trabalho à China, Singapura e Vietnã.
A polícia regional de Windsor indicou que está "examinando as informações" sobre Andrew Moutbatten-Windsor, como ele deve ser chamado desde que foi despojado de seus cargos aristocráticos.
Os documentos se somam às acusações de agressão sexual apresentadas contra o ex-príncipe por Virginia Giuffre, vítima de Epstein que cometeu suicídio em 2025.
Uma segunda mulher afirmou posteriormente, por meio de seu advogado, que Epstein a enviou à Inglaterra em 2010 para manter relações sexuais com o filho da rainha Elizabeth II.
Outro advogado americano revelou que uma de suas clientes relatou que Epstein e o ex-príncipe a obrigaram a manter relações sexuais durante uma festa na Flórida em 2006.
O Ministério Público também está em contato com a polícia de Londres na investigação aberta sobre Peter Mandelson, ex-embaixador britânico em Washington, suspeito de ter repassado documentos confidenciais a Epstein.
A polícia de Surrey, no sudeste da Inglaterra, informou na quarta-feira que tomou conhecimento de um relatório com trechos censurados que alegava "tráfico de pessoas e agressões sexuais contra um menor" entre 1994 e 1996 na localidade de Virginia Water.
O relatório apareceu no último lote de milhões de arquivos publicados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, procedentes da investigação sobre Epstein, que morreu na prisão em 2019.
"Após revisarmos nossos sistemas com as informações limitadas de que dispomos, não encontramos evidências de que as acusações tenham sido denunciadas à polícia de Surrey", afirmou o comunicado.
O.Mucciarone--PV