Milhares protestam na França contra lentidão da Justiça em casos de pedofilia
Mais de 60 mil pessoas protestaram na França contra a lentidão da Justiça no tratamento de casos de agressões sexuais contra menores, indicaram nesta terça-feira (9) as autoridades, sob pressão após o suposto assassinato de uma menina de 11 anos.
O corpo de Lyhanna foi encontrado na semana passada em um silo agrícola abandonado no sudoeste da França, após vários dias de desaparecimento. Os investigadores apontam Jérôme B., pai de uma amiga da menina, como suspeito.
O homem, de 41 anos, era alvo de várias denúncias anteriores por pedofilia, mas não tinha nenhuma condenação. No momento de sua detenção, o Ministério Público investigava uma denúncia apresentada em agosto de 2025, embora ele nunca tivesse sido detido nem interrogado.
A pedido de associações feministas e de proteção à infância, 60.400 pessoas, em sua maioria mulheres, protestaram na noite de segunda-feira na França, entre elas 2.900 em Paris, informou nesta terça-feira o Ministério do Interior.
"A palavra das crianças não é levada a sério. A Justiça coloca a presunção de inocência acima do testemunho das vítimas", disse Lori Bess, organizadora do protesto em Agen, cujo Ministério Público investiga o caso de Lyhanna.
Em sinal de descontentamento, 1.200 pessoas protestaram diante do Ministério da Justiça, na capital, apesar da proibição das autoridades e da convocação de outro ato diante do Tribunal de Apelação de Paris.
As associações reivindicam a adoção de uma "proposta de lei integral de combate à violência contra mulheres e crianças", apresentada por cerca de cem deputados no fim de 2025, mas que nunca foi analisada.
Casos de abuso sexual contra menores têm dominado as manchetes nos últimos meses na França, onde uma criança é vítima a cada três minutos, segundo a Comissão Independente sobre Incesto e Violências Sexuais contra Crianças (Ciivise).
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C.Conti--PV