EUA acelera ajuda à Venezuela após terremotos
Marines dos Estados Unidos colocaram novamente em operação, nesta segunda-feira (29), o porto da área mais destruída pelos dois terremotos que atingiram a Venezuela no último dia 24, para acelerar o envio de ajuda ao país.
Pelo porto de La Guaira vão chegar equipamentos e suprimentos para os trabalhos de assistência após a tragédia, cujo número de vítimas ultrapassou 1,7 mil mortos, além dos 5 mil feridos, segundo o último balanço oficial, que não cita o número de desaparecidos.
Centenas de corpos estavam em necrotérios improvisados na área de depósitos do porto, observou a AFP. "Me dizem que ali estão minha irmã e os filhos dela, e os filhos do meu irmão", disse Wilker Molalla, 25 anos. "Estamos esperando que cheguem mais caminhonetes, para que possam entregá-los com a certidão de óbito e todos os documentos."
Uma réplica de magnitude 4,6 - a mais intensa reportada desde o duplo terremoto, de magnitudes 7,2 e 7,5 -, sentida na manhã de hoje em Caracas e La Guaira, reviveu a angústia, sem provocar danos adicionais. "Foi muito forte", descreveu à AFP Isamel Díaz, morador de La Guaira.
- À espera de milagres -
O governo militarizou La Guaira e impôs uma autorização para que se possa acessar a área de desastre. A população não esconde sua revolta com a ajuda lenta e escassa do governo.
"Nós mesmos fazemos tudo. Nós mesmos nos ajudamos, confiando em que Deus nos sustenta", disse à AFP Dayana Lean, 51 anos, na praia Los Cocos.
Um total de 27 países mobilizaram cerca de 40 equipes de busca e resgate, o que representa mais de 2 mil pessoas, com o auxílio de mais de 160 cães, informou Gianluca Rampolla, coordenador da ONU na Venezuela.
Um jovem de 21 anos, identificado como Aarón Levi, foi resgatado hoje na localidade de Tanaguarena, segundo um vídeo divulgado por uma fotógrafa que acompanhou a operação.
Em 1999, La Guaira foi devastada por chuvas e deslizamentos que deixaram mais de 10.000 mortos. Agora, o governo estima que 855 prédios tenham sofrido danos por causa dos terremotos, dos quais 189 desabaram, em La Guaira e Caracas. Já a ONU calcula quase 7 milhões de desabrigados e danos materiais de 6,7 bilhões de dólares (R$ 34,6 bilhões), o que representa 6% do PIB do país petroleiro.
- Cemitério -
Os dois crematórios do único cemitério público de Caracas operavam em sua capacidade máxima. Entre sexta-feira e sábado, foram realizados mais de 60 enterros por dia.
A líder opositora e ganhadora do Nobel da Paz María Corina Machado acusou o governo encarregado de Delcy Rodríguez de impedi-la de retornar à Venezuela. Ela está exilada desde dezembro, após passar mais de um ano vivendo escondida em seu país.
Os Estados Unidos reabriram parcialmente o principal aeroporto da Venezuela, também localizado em La Guaira. Já os aeroportos de Valencia (centro) e Maracaibo (oeste) estavam operando para voos comerciais internacionais.
Os dois terremotos, separados por segundos de diferença, foram os mais fortes e devastadores já registrados na América Latina.
A crise econômica na Venezuela afetou gravemente os hospitais e os serviços públicos, o que levou milhões de venezuelanos a fugir para o exílio nos últimos anos.
I.Saccomanno--PV