Pallade Veneta - Presidente da Petrobras nega pressão do governo Lula em sua gestão

Presidente da Petrobras nega pressão do governo Lula em sua gestão


Presidente da Petrobras nega pressão do governo Lula em sua gestão
Presidente da Petrobras nega pressão do governo Lula em sua gestão / foto: Mark Felix - AFP

O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, negou que esteja sob pressão do governo Lula para bloquear o pagamento de dividendos extraordinários e garantiu que sua gestão busca um equilíbrio para satisfazer os acionistas.

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A ação da empresa caiu na bolsa de valores na semana passada, após a decisão do conselho de administração de não distribuir esses dividendos, em meio a críticas de intervencionismo do governo petista nas empresas públicas.

“Não é pressão do governo, são diretrizes do governo. Eu escrevi o capítulo do programa de governo de Lula 3 relacionado ao petróleo. Sei o que está escrito ali, ninguém precisa me dar ordem direta toda hora", disse Prates nesta terça-feira (19), em entrevista à AFP em Houston.

“Não há pressão, é uma influência de um programa de governo que foi eleito, que foi escrito, e do qual a Petrobras faz parte também como implementadora de políticas”, acrescentou Prates, que participa no Texas da conferência sobre energia CERAWeek.

O presidente da Petrobras ressaltou que quem ingressa em uma estatal como sócio do Estado brasileiro “pode ter decepções, surpresas, mas também tem grandes alegrias, porque a gente cresceu 115% em dólar (preço da ação) no primeiro ano de gestão".

"A grande mágica aqui é equilibrar as coisas na gestão de uma empresa que eu chamo de corporação estatal. É uma empresa, de fato, que tem desafios internos de gestão. Você tem acionistas que, às vezes, têm interesses diametralmente opostos”, explicou Prates. A Petrobras é uma empresa estatal “gerida de forma a manter seus acionistas estruturais satisfeitos."

Indicado por Lula no ano passado, Prates disse que se sente à vontade no cargo e ressaltou sua experiência em gestão empresarial e política.

- Confiança na gestão -

Integrantes do governo defenderam na semana passada a decisão do conselho de administração e tentaram acalmar os investidores esclarecendo que os recursos que serão retidos em reserva (cerca de 9 bilhões de dólares) poderão ser distribuídos como dividendos no futuro.

“A Petrobras é uma sociedade anônima, precisa cumprir a lei das S.A.. Você tem uma lei que rege estatais e uma lei que rege as S.A.. Na questão dos dividendos, rege a lei das S.A,, e pode haver a criação, como foi feito no ano passado, de uma conta de reserva para pagamentos de dividendos ao longo de uma certa linha do tempo, o que é perfeitamente normal", observou Prates.

O presidente da Petrobras afirmou que as decisões são comunicadas ao mercado com transparência. "O mercado reage e depois volta" aos seus níveis.

Em meio às críticas, o governo Lula anunciou na semana passada que vai renovar o conselho de administração da Petrobras para “oxigenar” as estruturas de decisão, ressaltando que a medida não será imediata.

O presidente brasileiro criticou repetidas vezes a gestão da receita da Petrobras, que considera favorável aos acionistas, em detrimento da sociedade.

“Confiem na nossa gestão”, pediu Prates. “Sabemos que estamos traçando o caminho de um transatlântico que tem que atravessar um oceano difícil, mas temos máquinas boas, pessoas boas, capacidade de gestão para atravessar esse oceano e chegar do outro lado transformando uma empresa moderna e de energia em geral, com muita participação de fontes renováveis."

Sobre os objetivos mundiais de transição para energias limpas, Prates disse que a Petrobras tem uma “perspectiva realista. Nunca fizemos anúncios e prometemos coisas impossíveis."

O presidente ressaltou que são realizadas atividades paralelas às tradicionais, como a reinjeção de CO2 de seus campos de produção de petróleo no pré-sal, diretamente no fundo do mar, evitando emissões, onde também participa a francesa Total.

O.Merendino--PV

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