Pallade Veneta - Cálculos comerciais de Trump deixam economistas desconcertados

Cálculos comerciais de Trump deixam economistas desconcertados


Cálculos comerciais de Trump deixam economistas desconcertados
Cálculos comerciais de Trump deixam economistas desconcertados / foto: Brendan SMIALOWSKI - AFP

Economistas especializados em comércio questionavam, nesta quinta-feira (3), qual é a fórmula utilizada pelos Estados Unidos para medir os desequilíbrios comerciais e impor sanções a seus parceiros comerciais globais.

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Com gráficos exibidos durante um discurso no jardim da Casa Branca, o presidente Donald Trump apresentou a justificativa de como sua administração imporia tarifas a parceiros que vão de grandes potências, como China e Europa, até nações menores.

No entanto, os números apresentados têm pouca relação com os níveis tarifários reais.

"Isto é para a economia o que o criacionismo é para a biologia e a astrologia para a astronomia", criticou o ex-secretário do Tesouro, Larry Summers, na rede X.

Embora o gráfico de Trump afirme que a China impõe uma tarifa de 67% aos produtos americanos, dados da Organização Mundial do Comércio mostram que a tarifa média da China em 2024 foi de apenas 4,9%.

Discrepâncias semelhantes existem para a União Europeia (39% contra 1,7%) e a Índia (52% contra 6,2%).

Funcionários da administração americana explicaram que incorporaram fatores além das tarifas, como normas ambientais, manipulação cambial e barreiras comerciais.

O representante comercial dos Estados Unidos publicou uma fórmula com letras gregas para conferir uma aparência acadêmica aos cálculos, mas a fórmula, na verdade, não incluía os níveis tarifários como fator.

Na prática, para calcular as tarifas alfandegárias, a Casa Branca dividiu a balança comercial (a diferença entre as importações e as exportações) pelo valor das importações de cada país, sem levar em conta especificidades dos laços comerciais.

"A fórmula se baseia no valor relativo do excedente comercial com os Estados Unidos", confirmaram economistas do Deutsche Bank.

Trump afirmou que seu governo reduziu pela metade o número resultante porque "somos gentis", ao mesmo tempo em que impôs um imposto fixo de 10% aos países com os quais os Estados Unidos mantêm superávit comercial.

"Há tantos erros nessa abordagem que é difícil saber por onde começar", escreveu em seu blog o prêmio Nobel de Economia Paul Krugman, frequentemente crítico a Trump. Ele ressaltou, sobretudo, que os cálculos levam em conta apenas os bens intercambiados, omitindo os serviços.

No fim, concluiu, o método é "estúpido".

Para a maioria deles, as crenças de Trump ignoram as complexidades da economia americana, a maior do mundo, onde uma empresa como a Apple fabrica 90% de seus produtos no exterior, mas gera uma enorme riqueza dentro do país.

A.Rispoli--PV

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