Pallade Veneta - Polônia celebra eleições presidenciais acompanhadas com atenção pela Europa

Polônia celebra eleições presidenciais acompanhadas com atenção pela Europa


Polônia celebra eleições presidenciais acompanhadas com atenção pela Europa
Polônia celebra eleições presidenciais acompanhadas com atenção pela Europa / foto: Wojtek RADWANSKI - AFP

Os poloneses comparecem às urnas no domingo (18) para o primeiro turno das eleições presidenciais, marcadas pelo confronto entre um candidato pró-Europa convicto e um nacionalista admirador de Donald Trump.

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A campanha foi dominada em grande parte por questões de política internacional e sobre o espaço que Varsóvia deve ocupar entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos, cuja aliança parece cada vez mais turbulenta no segundo mandato de Donald Trump.

"Foi uma espécie de campanha identitária, com questões vinculadas à Ucrânia, as relações com a União Europeia, a migração e os Estados Unidos", disse à AFP Marcin Zaborowski, do centro de estudos Globsec.

Desde o retorno ao poder do primeiro-ministro Donald Tusk em 2023, a Polônia aproximou sua postura de Bruxelas e deixou para trás os anos de tensões e disputas do anterior governo nacionalista.

Agora, o quinto país mais populoso da UE é um ator de peso dentro do bloco e um fator crucial no flanco anti-Rússia, como demonstrou a visita de Tusk a Kiev ao lado dos governantes da França, Alemanha e Reino Unido na semana passada.

As pesquisas apontam o favoritismo do candidato da Coalizão Cívica (PO) de Tusk e prefeito de Varsóvia, Rafal Trzaskowski, que perdeu a eleição presidencial de 2020 para o nacionalista Andrzej Duda.

Com 32,6% das intenções de voto, Trzaskowski enfrentará no segundo turno, exceto uma grande surpresa, o historiador Karol Nawrocki (26,4%), apoiado pela oposição nacionalista do Lei e Justiça (PiS).

- Governo paralisado -

Uma vitória do prefeito da capital, de 53 anos, pode revigorar a coalizão de centro-direita liberal que assumiu o poder em 2023 no país, também crucial no flanco leste da Otan.

Um eventual triunfo de Nawrocki, de 42 anos, manteria as divergências entre a presidência e o governo, que deixa a ação política virtualmente paralisada.

O principal desafio das eleições é "desbloquear a eficácia e a capacidade de tomar decisões do governo que continuam travadas pelo presidente" Duda, aliado da oposição nacionalista, declarou Zaborowski.

Segundo a Constituição, o presidente dispõe de poderes limitados, mas tem direito de veto sobre as iniciativas legislativas e Duda não hesitou em utilizar a prerrogativa.

O cenário provocou o não cumprimento ou a concretização apenas parcial de algumas promessas da coalizão de governo, em particular as que envolvem os direitos das mulheres e o aborto, praticamente proibido na Polônia.

"Com Nawrocki, o governo ficaria, na prática, paralisado e isso poderia levar à queda da coalizão no poder e ao retorno dos populistas", disse a cientista política Anna Materska-Sosnowska.

Por isso, esta eleição é "fundamental" não apenas para a Polônia, "mas também para as tentativas de frear a tendência antidemocrática, populista que atravessa a Europa".

A votação na Polônia coincide com o segundo turno das eleições na Romênia, nas quais um candidato nacionalista, eurocético e admirador de Trump, George Simion, é o grande favorito.

Nawrocki também se declara admirador do presidente americano, com quem se reuniu na Casa Branca duas semanas antes das eleições, o que rendeu acusações de interferência.

O historiador nacionalista está "claramente vinculado ao pensamento e atitude promovidos por Donald Trump", apontou Wojciech Przybylski, diretor da fundação Res Publica.

Do outro lado, a coalizão pró-europeia no poder "tenta ao menos contra-atacar o presidente americano e operar em um novo paradigma, onde a segurança não é baseada apenas nos laços transatlânticos".

A.Saggese--PV

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