Pallade Veneta - Irã e potências europeias mantêm negociações nucleares na Turquia

Irã e potências europeias mantêm negociações nucleares na Turquia


Irã e potências europeias mantêm negociações nucleares na Turquia
Irã e potências europeias mantêm negociações nucleares na Turquia / foto: ATTA KENARE - AFP/Arquivos

O Irã teve uma reunião nesta sexta-feira (16) em Istambul com representantes da Alemanha, França e Reino Unido sobre como avançam suas negociações com os Estados Unidos a respeito de seu programa nuclear, depois que o presidente americano, Donald Trump, exigiu que Teerã adote uma decisão rápida sobre o tema.

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O trio de potências europeias, ao lado da China, Estados Unidos e Rússia, assinou em 2014 um acordo com Teerã para limitar suas atividades nucleares em troca da flexibilização das sanções que sufocam a economia do país.

Contudo, Washington, durante o primeiro mandato de Trump, abandonou unilateralmente o acordo e retomou as sanções ao Irã, que então parou de cumprir os compromissos assumidos a respeito do desenvolvimento nuclear.

Atualmente, Teerã enriquece urânio a 60%, muito acima do limite de 3,67% definido em 2015. Para construir uma arma nuclear, como os Estados Unidos e seus aliados suspeitam que o Irã pretenda fazer, é necessário alcançar 90%.

"Eles (os iranianos) têm uma proposta. Sabem que devem agir rapidamente ou algo ruim vai acontecer", advertiu nesta sexta-feira o presidente dos Estados Unidos antes de deixar Abu Dhabi, última etapa de sua viagem pelo Golfo.

"Não recebemos nada", afirmou o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araqchi.

O vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, declarou que representantes de seu país conversaram com funcionários dos governos da Alemanha, França e Reino Unido em Istambul sobre os avanços nas negociações entre Teerã e Washington e sobre uma hipotética retirada das sanções.

- "Estratégia de confronto" -

"Se for necessário, voltaremos a nos encontrar para continuar as conversações", afirmou Gharibabadi no X.

Uma fonte do governo dos Estados Unidos afirmou, por sua vez, que o secretário de Estado Marco Rubio se reuniu em Istambul com assessores diplomáticos e de segurança da França, do Reino Unido e da Alemanha para conversar sobre o programa nuclear iraniano e sobre o conflito na Ucrânia.

Em uma coluna publicada no domingo na revista francesa Le Point, Araqchi fez um alerta aos países europeus contra uma "estratégia de confronto".

No final de abril, o chanceler francês, Jean-Noël Barrot, afirmou que os três países não hesitariam em restabelecer sanções contra Teerã se a segurança europeia fosse ameaçada por seu programa nuclear.

Relegados ao segundo plano com as negociações diretas entre Estados Unidos e Irã, os países europeus ponderam se devem ativar um mecanismo do acordo de 2015 que permite a reimposição automática de sanções a Teerã.

O encontro desta sexta-feira entre o Irã e os países europeus aconteceu menos de uma semana após a quarta rodada de negociações com os Estados Unidos, sob a mediação de Omã.

Desde seu retorno à Casa Branca em janeiro, Trump retomou a política de "pressão máxima" sobre o Irã e exigiu que Teerã negocie um novo acordo, sob a ameaça de uma ação militar caso a via diplomática não prospere.

Na quinta-feira, o site americano de notícias Axios informou que a administração Trump entregou à parte iraniana uma "proposta escrita" para um acordo nuclear durante a última reunião.

Na terça-feira, em Riade, Trump afirmou que havia oferecido um "ramo de oliveira" aos líderes iranianos, mas destacou que se tratava de uma proposta que não duraria eternamente.

A República Islâmica afirma que seu programa nuclear tem exclusivamente fins civis, mas não quer renunciar ao enriquecimento de urânio e não deseja que as negociações se estendam a questões como seu programa de mísseis.

Em uma entrevista ao canal NBC News, um conselheiro do guia supremo Ali Khamenei, Ali Shamkhani, disse que o Irã se comprometerá a não fabricar armas nucleares, a descartar suas reservas de urânio altamente enriquecido, a enriquecer urânio apenas no nível necessário para uso civil e a permitir inspeções internacionais de suas instalações nucleares.

Em troca, o país exige a retirada imediata de todas as sanções econômicas que sufocam a República Islâmica.

M.Romero--PV

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