Pallade Veneta - Síria chega a 7º dia de combates apesar de anúncio de cessar-fogo

Síria chega a 7º dia de combates apesar de anúncio de cessar-fogo


Síria chega a 7º dia de combates apesar de anúncio de cessar-fogo
Síria chega a 7º dia de combates apesar de anúncio de cessar-fogo / foto: Bakr ALkasem - AFP

Sunitas e beduínos entraram em confronto com drusos neste sábado (19) na cidade de Sweida, no sul da Síria, apesar do anúncio de um cessar-fogo, no sétimo dia de um ciclo de violência entre tribos locais que deixou 940 mortos, segundo uma ONG.

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Mais cedo, o governo sírio anunciou o envio de suas forças à província de Sweida, de maioria drusa, e instou "todas as partes a respeitarem" o cessar-fogo declarado.

Em um bairro da cidade de Sweida, combatentes dessas forças tribais, alguns mascarados, dispararam armas automáticas contra seus adversários, segundo imagens da AFP. Colunas de fumaça ergueram-se sobre a capital da província homônima.

Um dos combatentes usava uma faixa preta ao redor da testa com a profissão de fé do islamismo. Outro brandia uma tesoura, usada para cortar os bigodes dos anciãos drusos, o maior insulto para este povo de guerreiros orgulhosos.

Um correspondente da AFP viu dezenas de casas e automóveis queimados, e homens armados ateando fogo em lojas depois de tê-las saqueado.

"Viemos aqui e vamos massacrar todos eles em suas casas", disse um dos combatentes, que se identificou como Abu Jassem, referindo-se aos drusos.

- 'Dialogar' -

Conflitos entre tribos sunitas e beduínos, de um lado, e combatentes da minoria drusa, de outro, continuaram na região oeste da cidade e arredores, segundo correspondentes da AFP no local.

O presidente interino da Síria, Ahmed al Sharaa, que assumiu o poder após derrubar Bashar al Assad em dezembro, reafirmou seu compromisso com a proteção das minorias.

O Ministério do Interior anunciou o envio de forças de segurança à província de Sweida "com o objetivo de proteger os civis e pôr fim ao caos".

A França instou "todas as partes" a respeitar "estritamente" o cessar-fogo anunciado por Damasco e a "abster-se de qualquer ação unilateral".

O governo sírio, alegando querer restaurar a ordem, enviou suas forças na terça-feira a Sweida, até então controlada por combatentes drusos.

Contudo, as retirou diante da pressão militar de Israel, que bombardeou vários alvos governamentais em Damasco.

Israel, que afirma querer defender os drusos, uma minoria esotérica nascida do islã xiita, se opôs até agora à presença das forças governamentais sírias na região.

Os Estados Unidos anunciaram um acordo de cessar-fogo entre a Síria e Israel na noite de sexta-feira, pedindo aos "drusos, beduínos e sunitas que deponham as armas".

A União Europeia deu boas-vindas ao cessar-fogo, anunciado pelo enviado americano para a Síria, Tom Barrack, e disse que era hora "de dialogar".

Barrack afirmou na rede social X que estabeleceu com os titulares das Relações Exteriores de Jordânia e Síria "medidas concretas para ajudar a Síria a aplicar o acordo de cessar-fogo", após reunião realizada neste sábado na capital jordaniana Amã.

- 'Vala comum' -

O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), testemunhas e grupos drusos acusaram as forças governamentais destacadas em Sweida de lutarem ao lado dos beduínos e cometerem crimes.

Os confrontos deixaram 940 mortos desde 13 de julho na província, incluindo 588 drusos (326 combatentes e 262 civis), 312 membros das forças governamentais e 21 beduínos sunitas, segundo o OSDH.

Cerca de 87 mil pessoas foram deslocadas pela violência, segundo a Organização Internacional de Migração (OIM).

Omar Obeid, médico do hospital público de Sweida, o único ainda em funcionamento na cidade, disse que "mais de 400 corpos" chegaram entre segunda a sexta-feira, incluindo crianças e idosos.

"Isto já não é mais um hospital, é uma vala comum", disse outro funcionário do centro de saúde municipal, que não tem água nem eletricidade e as comunicações estão cortadas.

Esses confrontos representam um dos principais desafios para o novo governo sírio, liderado pelo ex-jihadista Al Sharaa em um país marcado por quase 14 anos de guerra civil.

O dirigente prometeu proteger as minorias neste país diverso, mas esses incidentes, e os assassinatos meses atrás de membros da comunidade alauita (o ramo do islã ao qual Assad pertence), minam esse compromisso.

A comunidade drusa da Síria, com grande concentração em Sweida, contava com cerca de 700 mil pessoas antes do início da guerra civil em 2011. Essa minoria também está presente no Líbano, em Israel e nas Colinas de Golã sírias, ocupadas por Israel desde 1967.

O.Merendino--PV

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