Pallade Veneta - Quase 180 países debatem em Genebra o problema da poluição dos plásticos

Quase 180 países debatem em Genebra o problema da poluição dos plásticos


Quase 180 países debatem em Genebra o problema da poluição dos plásticos
Quase 180 países debatem em Genebra o problema da poluição dos plásticos / foto: Fabrice Coffrini - AFP

Representantes de quase 180 países se reúnem a partir desta terça-feira (5) na sede da ONU em Genebra para redigir, em um prazo de 10 dias, o primeiro tratado mundial destinado a reduzir a poluição por plásticos, que ameaça sufocar o planeta.

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Ao inaugurar oficialmente a reunião, o diplomata equatoriano Luis Vayas Valdivieso, que preside os debates, colocou os Estados diante da responsabilidade de enfrentar uma "crise mundial".

"A poluição por plásticos está danificando os ecossistemas, contaminando nossos oceanos e rios, ameaçando a biodiversidade, prejudicando a saúde humana e afetando de forma injusta os mais vulneráveis. A emergência é real (...) e a responsabilidade recai sobre nós", afirmou.

Em discussão há três anos, o texto "juridicamente vinculante" para os Estados "não será alcançado automaticamente", advertiu na segunda-feira Valdivieso, ao receber os delegados de mais de 600 ONGs que acompanham os debates na cidade suíça.

Em um contexto de fortes tensões geopolíticas e comerciais, a sessão adicional de negociações, denominada INC-5.2, foi convocada após o fracasso de uma rodada organizada em dezembro em Busan, Coreia do Sul.

Um grupo de países produtores de petróleo bloqueou na ocasião qualquer avanço.

"Houve muita diplomacia desde Busan", declarou à AFP a diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Inger Andersen, que organiza a reunião.

"A maioria dos países com quem conversei disse que vem a Genebra para chegar a um acordo", acrescentou. "Vai ser fácil? Não. Vai ser simples? Não. É complexo? Sim. Há um caminho para chegar a um tratado? Absolutamente", acrescentou a diplomata experiente, com ampla vivência em negociações ambientais complexas. Ela destacou que está "determinada" a alcançar um acordo.

"Lições foram aprendidas desde Busan", acrescentou Valdivieso. Ele garantiu que as ONGs e a sociedade civil terão acesso aos grupos de contato que negociam os pontos mais delicados: substâncias químicas que devem ser proibidas, limites máximos de produção, etc.

Na segunda-feira, cientistas e organizações não governamentais aumentaram a pressão sobre os representantes dos países.

- "Perigo grave, crescente e subestimado" -

A poluição provocada pelos resíduos plásticos é um "perigo grave, crescente e subestimado" para a saúde, que custa ao mundo pelo menos 1,5 trilhão de dólares (8,2 trilhões de reais) por ano, alertaram especialistas em um relatório publicado na segunda-feira na revista médica The Lancet.

Philip Landrigan, médico e pesquisador do Boston College dos Estados Unidos, alertou que as pessoas vulneráveis, em particular as crianças, são as mais afetadas pela poluição dos plásticos.

Para conscientizar os participantes, uma instalação artística efêmera chamada "A carga do pensador" foi posicionada diante da sede da ONU em Genebra: uma reprodução da famosa estátua do escultor Auguste Rodin envolvida em um mar de resíduos plásticos.

O autor, o artista e ativista canadense Benjamin Von Wong, deseja que os delegados reflitam sobre "o impacto da poluição por plásticos na saúde humana" durante as negociações.

- "Vital para a saúde pública" -

O porta-voz do Conselho Americano da Indústria Química, Matthew Kastner, presente em Genebra, defendeu o plástico e os serviços que o material oferece às sociedades modernas.

"É vital para a saúde pública", afirmou, em particular graças a todos os equipamentos médicos estéreis, máscaras cirúrgicas, tubos, embalagens, entre outros elementos, que permitem melhorar a higiene e a segurança alimentar.

Um argumento pouco apreciado pelo Greenpeace, cujo chefe de delegação, Graham Forbes, pediu na segunda-feira "a interrupção da produção de tanto plástico para deter a crise da poluição".

"Nossa prioridade é conseguir reduzir a produção de plástico," acrescentou Seema Prabhu, da ONG suíça Trash Hero World, que atua principalmente em países do sudeste asiático como Tailândia, Vietnã, Indonésia e Malásia.

"Há muitas fábricas petroquímicas e de plástico nesses países e, portanto, muitos postos de trabalho que dependem delas. Por isso, defendemos uma transição justa com a criação de emprego na reutilização, reciclagem e coleta de resíduos", acrescentou.

R.Lagomarsino--PV

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