Pallade Veneta - Inteligência artificial abre novas perspectivas na reprodução assistida

Inteligência artificial abre novas perspectivas na reprodução assistida


Inteligência artificial abre novas perspectivas na reprodução assistida
Inteligência artificial abre novas perspectivas na reprodução assistida / foto: Alain JOCARD - AFP/Arquivos

Os avanços na inteligência artificial (IA) abrem novas expectativas na reprodução assistida, desde identificar o embrião com mais possibilidades até melhorar as respostas aos tratamentos hormonais, ou mesmo reduzir os prazos de acesso.

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Quase meio século depois do nascimento do primeiro bebê concebido por fertilização in vitro (FIV) em 1978, "a inteligência artificial está aqui para nos ajudar a selecionar melhor os embriões, em todo caso, a determinar melhor seu potencial de implantação", afirmou Nathalie Massin, chefe da unidade de reprodução assistida do Hospital Americano de Paris.

Este centro, que afirma realizar mais de 2.300 FIVs por ano, está equipado, como outros hospitais, com um embrioscópio (ou time-lapse) para filmar continuamente o desenvolvimento do embrião sem retirá-lo da incubadora.

"Nos centros equipados com estes sistemas de observação contínua, são adquiridos dados que anteriormente não podiam ser necessariamente observados", afirma Anne-Claire Leprêtre, responsável pela área de reprodução assistida na Agência de Biomedicina, um organismo público francês.

Até o momento, os dados destas gravações do embrião (morfologia, simetria, ritmo de divisão celular) eram utilizados de forma limitada.

Com estes módulos de IA, os especialistas poderão identificar o embrião que possui mais chances de se implantar ou de ser congelado, o que reduzirá o número de tentativas malsucedidas que podem terminar em abortos espontâneos.

- Decisão "humana" -

"É o ser humano que continuará tomando as decisões, mas com esta ferramenta adicional", insiste Frida Entezami, corresponsável do centro de reprodução assistida do Hospital Americano de Paris.

Este estabelecimento utiliza uma IA da start-up israelense AIVF que está em processo de validação interna, com o objetivo de "reduzir pela metade o número de ciclos necessários para alcançar uma gravidez".

"O que a AIVF me proporcionará é uma probabilidade de 70% de que o embrião recomendado esteja livre de anomalias genéticas", explica Entezami, "um avanço" considerando que atualmente entende-se que metade dos embriões pré-implantatórios são geneticamente anormais.

Estes avanços levantam, no entanto, uma série de questões, como o que fazer com os embriões bem classificados para uma implantação, mas que, segundo o algoritmo, apresentam uma anomalia cromossômica.

A IA também pode ajudar a ajustar o momento e a dosagem das injeções hormonais para otimizar a estimulação antes da extração de óvulos ou aumentar as chances de encontrar um espermatozoide em uma amostra onde são extremamente escassos.

- "Respostas personalizadas" -

Estes testes são realizados com algoritmos "para verificar se os critérios de observação nos quais as decisões de hoje se baseiam continuam pertinentes e se outros dados poderiam refinar a análise", destaca Lepêtre.

A ideia é "diminuir o número de tentativas" e "atender mais pacientes", acrescenta.

"A análise de todas estas informações e de todos estes ciclos, de todas estas mulheres atendidas com os parâmetros de seu parceiro ou do doador (...) poderia fornecer respostas personalizadas" e "também evitar esse vaivém emocional" em processos "longos, complexos e frequentemente difíceis psicologicamente", prossegue.

No entanto, na escolha do embrião, "sempre será um especialista quem tomará a decisão", reitera Leprêtre.

"Há muita comunicação em torno da IA. Mas, atualmente, a IA não é capaz de fazer tudo", pondera Michaël Grynberg, ginecologista obstetra francês especialista em fertilização in vitro.

"Precisamos de marcadores mais pertinentes porque os relativos à morfologia de um óvulo ou de um espermatozoide não são suficientes", completou.

R.Zarlengo--PV

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