Pallade Veneta - Paramount desafia Netflix com oferta de US$ 108,4 bilhões pela Warner

Paramount desafia Netflix com oferta de US$ 108,4 bilhões pela Warner


Paramount desafia Netflix com oferta de US$ 108,4 bilhões pela Warner
Paramount desafia Netflix com oferta de US$ 108,4 bilhões pela Warner / foto: Patrick T. Fallon - AFP/Arquivos

A Paramount lançou nesta segunda-feira (8) uma oferta pública de aquisição da Warner Bros. Discovery (WBD) a 30 dólares por ação, desafiando um acordo previamente anunciado entre esta empresa e a Netflix.

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A oferta avalia a gigante do entretenimento em 108,4 bilhões de dólares (578,8 bilhões de reais) e representa um bônus de 139% sobre o preço da ação da WBD em setembro, de 12,54 dólares.

Em comunicado, a Paramount classificou a oferta da Netflix como "inferior e incerta". "Os acionistas da WBD merecem a oportunidade de considerar nossa oferta superior, totalmente em dinheiro", disse David Ellison, presidente e CEO da Paramount.

A Netflix não respondeu ao pedido de comentários feito pela AFP. Diferentemente da sua proposta, a oferta mais recente da Paramount inclui a compra de canais a cabo como CNN, TNT, TBS e Discovery, que se somariam ao seu grupo de ativos televisivos, entre eles CBS, MTV e Comedy Central.

Antes de considerar uma venda, a Warner Bros Discovery planejava separar esses canais do restante do grupo, considerando seu menor potencial de crescimento em um contexto de retração da televisão a cabo nos Estados Unidos.

A Paramount Skydance foi, de fato, a primeira a manifestar interesse pela Warner Bros Discovery, e apresentou cinco ofertas antes da de hoje, mas o conselho da WBD preferiu a Netflix, que também superou a operadora de cabo Comcast.

- Competição -

"Nossa oferta é a mais alta entre as que estão na mesa", afirmou Ellison, em entrevista ao canal CNBC. A proposta da Netflix avaliava a Warner Bros e a HBO Max em 83 bilhões de dólares (443 bilhões de reais), incluindo a dívida.

Para tentar convencer o conselho de administração da WBD e seus acionistas, a Paramount Skydance está disposta a financiar sua oferta inteiramente em dinheiro, enquanto a Netflix inclui parte do pagamento em ações.

O grupo conseguiu reunir essa soma apoiando-se, em parte, no patrimônio da família Ellison, cujo patriarca, Larry, é o segundo homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em 270 bilhões de dólares (1,4 trilhão de reais), segundo a revista Forbes. "Temos mais certeza de obter a aprovação dos reguladores" do que a Netflix, argumentou David Ellison.

Outro investidor é a Affinity Partners, empresa de capital privado fundada pelo genro de Trump, Jared Kushner, que representou o presidente em missões diplomáticas relacionadas às guerras em Gaza e na Ucrânia.

O presidente Donald Trump expressou ontem dúvidas sobre a conveniência de uma união entre Netflix e Warner Bros. A Netflix já tem "uma fatia de mercado muito grande", destacou, o que "poderia ser um problema".

"Estamos aqui para terminar o que começamos", disse David Ellison à CNBC, quando sua empresa apresentou a sexta oferta pela WBD desde setembro.

A fusão reuniria duas das três maiores plataformas de vídeo do mundo (excluindo a Amazon Prime, por seu modelo híbrido), com mais de 300 milhões de assinantes para a Netflix e 128 milhões para a HBO Max.

"Permitir que o primeiro serviço mundial de streaming se funda com o terceiro é ruim para a concorrência", argumentou David Ellison, que conta com o apoio de Trump, que é próximo de seu pai. Larry Ellison contribuiu financeiramente para as campanhas eleitorais do presidente americano.

O diretor da Skydance obteve em julho a aprovação do regulador americano de telecomunicações e televisão, a FCC, para adquirir a Paramount após prometer uma modificação na linha editorial da CBS, canal do grupo muito criticado por Trump.

- 'Longe de terminar' -

"A saga da aquisição da Warner Bros Discovery está longe de terminar", previu Ross Benes, analista da eMarketer. "A Netflix tem vantagem", porque recebeu autorização do conselho de administração da WBD, "mas a Paramount vai apelar a acionistas, reguladores e políticos", ressaltou.

A Paramount argumentou que seu acordo oferece uma segurança regulatória maior do que a transação com a Netflix, que, segundo afirmou, daria à plataforma uma participação de 43% dos assinantes globais de streaming e enfrentaria "impugnações regulatórias prolongadas em todo o mundo".

A empresa combinada uniria o portfólio da Paramount, que inclui Paramount Pictures, CBS, Nickelodeon e a plataforma de streaming Paramount+, com os ativos da WBD, como HBO Max e os principais direitos de transmissão esportiva.

Manter os filmes em cartaz é um tema delicado para a indústria criativa de Hollywood. A Netflix tem uma imagem negativa em alguns círculos da meca do cinema, em grande parte devido à sua relutância em lançar conteúdo em salas e ao seu impacto na indústria.

Muitos veteranos consideram os lançamentos nas grandes telas essenciais para o apelo e o prestígio do cinema e para manter os empregos em Hollywood e uma economia vibrante.

A ação da WBD subiu mais de 7% hoje, e a da Netflix caiu mais de 3%.

O.Mucciarone--PV

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