Pallade Veneta - Principais bancos centrais se solidarizam com presidente do Fed

Principais bancos centrais se solidarizam com presidente do Fed


Principais bancos centrais se solidarizam com presidente do Fed
Principais bancos centrais se solidarizam com presidente do Fed / foto: SAUL LOEB - AFP/Arquivos

Os dirigentes dos principais bancos centrais do mundo, incluindo o Banco Central Europeu e o do Brasil, expressaram sua "total solidariedade" ao Federal Reserve e ao seu presidente, Jerome Powell, nesta terça-feira (13), após uma investigação aberta nos Estados Unidos contra ele.

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Powell informou no domingo que a instituição recebeu uma intimação do Departamento de Justiça e enquadrou a decisão na campanha de pressão do presidente Donald Trump para que reduza drasticamente as taxas de juros, enquanto a inflação segue acima da meta de 2%.

"Manifestamos nossa total solidariedade ao sistema do Federal Reserve e ao seu presidente, Jerome H. Powell", diz um comunicado assinado pelos presidentes do Banco Central Europeu, do Banco da Inglaterra e dos bancos centrais da Austrália, Brasil e Canadá, entre outros.

"A independência dos bancos centrais é um pilar da estabilidade de preços, financeira e econômica, no interesse dos cidadãos que servimos", continua o comunicado, também assinado pelos governadores dos bancos centrais da Dinamarca, Coreia do Sul, Suécia e Suíça. O Japão está entre os ausentes.

"O presidente Powell agiu com integridade, focado em seu mandato e com um compromisso inabalável com o interesse público", acrescentam.

- "Sem precedentes" -

Esse apoio segue o manifestado na segunda-feira por ex-presidentes do Fed, que denunciaram uma instrumentalização da Justiça para "minar a independência" da instituição.

O máximo responsável pela política monetária dos EUA anunciou no domingo que a Procuradoria Federal abriu uma investigação criminal relacionada ao seu comparecimento perante o Congresso em junho para explicar a remodelação da sede da instituição.

Powell criticou a "ação sem precedentes" do governo Trump, afirmando que se tratava de um pretexto para influenciar as políticas da instituição financeira.

"A ameaça de acusações criminais decorre do fato de que o Federal Reserve define as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que serve ao público, e não nas preferências do presidente", declarou.

O anúncio da investigação provocou uma onda de apoios nos Estados Unidos. Vários parlamentares republicanos começaram a manifestar publicamente sua desaprovação sobre esta situação, em um partido governista que, até o momento, ofereceu pouca resistência às iniciativas da Casa Branca.

- Insultos -

Segundo Powell, a ação iniciada no Departamento de Justiça está relacionada ao seu depoimento no Senado em junho, quando falou sobre um grande projeto de reforma dos prédios da instituição financeira.

Questionado sobre o tema no domingo, Trump afirmou que não estava ciente, mas voltou a criticar o presidente do Fed, chamando-o de "cabeça oca" ou "imbecil".

No ano passado, o republicano já havia sugerido a possibilidade de demitir Powell.

O mandatário também tentou despedir outra dirigente do banco central americano, Lisa Cook. O caso dela deve chegar neste mês à Suprema Corte.

O chefe de Estado deve anunciar o nome da pessoa que deseja como sucessor de Powell, cujo mandato termina em maio.

O Fed, uma instituição independente, tem dois mandatos: manter a estabilidade dos preços e combater o desemprego. Sua principal ferramenta é o estabelecimento de uma taxa de juros de referência que influencia no preço dos títulos do Tesouro e nos custos do endividamento.

Desde que voltou ao poder em janeiro de 2025, Trump vem defendendo os cortes de juros para reduzir os custos de endividamento e sustentar o crescimento.

E.M.Filippelli--PV

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