Pallade Veneta - Irã diz que 'cumpriu sua palavra', mas Trump insiste que trégua acabou

Irã diz que 'cumpriu sua palavra', mas Trump insiste que trégua acabou


Irã diz que 'cumpriu sua palavra', mas Trump insiste que trégua acabou
Irã diz que 'cumpriu sua palavra', mas Trump insiste que trégua acabou / foto: - - AFP/Arquivos

O Irã insistiu neste sábado (11) que "cumpriu sua palavra" desde a assinatura do protocolo de cessar-fogo com os Estados Unidos, depois que o presidente Donald Trump anunciou o fim da trégua em consequência da retomada das hostilidades e acusou Teerã de planejar seu assassinato.

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"O Irã cumpriu sua palavra até agora", escreveu na rede social X o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi. Ele acrescentou que "só pode haver respeito quando é mútuo".

Irã e Estados Unidos retomaram os ataques na terça e na quarta-feira, com bombardeios no Oriente Médio que foram os maiores desde a assinatura, em 17 de junho, de um memorando de entendimento que ratificava o cessar-fogo alcançado em abril.

Trump voltou a afirmar na sexta-feira que este cessar-fogo "acabou", mas disse que aceitava continuar dialogando com Teerã.

"A República Islâmica do Irã nos pediu para continuar as 'negociações'. Concordamos em fazê-lo, mas os Estados Unidos deixaram claro para eles, sem margem para dúvidas, que o cessar-fogo ACABOU!", postou Trump em sua plataforma Truth Social.

O presidente republicano já havia declarado o fim da trégua na quarta-feira, quando chamou os líderes iranianos de "loucos" e afirmou que "é uma perda de tempo lidar com eles".

Teerã "não fez nenhum pedido", disse por sua vez o porta-voz da diplomacia iraniana.

A mesma fonte anunciou que Araghchi viajaria neste sábado a Omã para abordar a situação no Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica que está no centro da disputa com os Estados Unidos.

Teerã insiste que deve controlar a via marítima e expressou o desejo de cobrar tarifas dos navios que transitam por este corredor, por onde, antes da guerra, passava um quinto do comércio mundial de gás e petróleo.

As forças militares dos Estados Unidos bombardearam o Irã por duas noites consecutivas depois que atribuíram a Teerã a responsabilidade pelos ataques contra três navios comerciais em Ormuz.

Em represália, o Irã atacou países vizinhos do Golfo: Kuwait, onde ao menos uma pessoa ficou ferida, Bahrein e Catar, um dos mediadores nas negociações para tentar solucionar o conflito.

A guerra no Oriente Médio começou após os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã em 28 de fevereiro.

- Ultimato -

Na noite de sexta-feira, Donald Trump acusou Teerã de querer assassiná-lo e prometeu mais uma vez aniquilar o Irã se isso acontecesse.

"1.000 mísseis estão prontos para serem lançados e apontam para a República Islâmica do Irã (...) caso o governo iraniano cumpra sua ameaça, proclamada em muitos cantos do globo, de assassinar, ou tentar assassinar, o presidente em exercício dos Estados Unidos da América, neste caso, EU!", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.

"As ordens já foram dadas, e as Forças Armadas dos Estados Unidos estão preparadas, dispostas e aptas, por um período de um ano, que pode ser prorrogado, a dizimar e destruir completamente todas as áreas do Irã", acrescentou.

Segundo os sites americanos Axios e Politico, Washington informou Teerã que tem prazo até sábado para assumir o compromisso público de não atacar mais navios no Estreito de Ormuz.

Washington também restabeleceu as sanções econômicas contra o petróleo iraniano que haviam sido suspensas pelo protocolo de 17 de junho, uma "violação" do cessar-fogo, denunciou Araghchi neste sábado.

O aumento das tensões ocorreu durante o funeral do líder supremo iraniano Ali Khamenei, assassinado no primeiro dia da guerra e enterrado na sexta-feira no mausoléu do imã Reza, o santuário xiita mais sagrado do país, na cidade de Mashhad.

Embora as forças dos Estados Unidos tenham afirmado que atacaram apenas alvos militares, a República Islâmica acusou Washington de atingir infraestruturas civis para impedir a presença dos fiéis nas cerimônias fúnebres de Ali Khamenei.

A calma, no entanto, retornou desde a noite de quinta-feira e uma delegação do Catar, país mediador entre Teerã e Washington, chegou na sexta-feira ao Irã para uma rodada de conversações, segundo a imprensa local.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que também tem o papel de mediador, afirmou no X que fez um apelo ao presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, para que preserve uma paz "duramente conquistada".

O principal negociador iraniano nas negociações com Washington, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu que a guerra "nunca terminaria com uma rendição do Irã".

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R.Lagomarsino--PV