Primeiro-ministro britânico pede que governo se concentre em reduzir custo de vida
O novo primeiro-ministro do Reino Unido, o trabalhista Andy Burnham, que reuniu seu gabinete nesta terça-feira (21), afirmou que comandará um "Executivo focado em reduzir o custo de vida", após ter anunciado uma diminuição dos impostos sobre a conta de luz para melhorar o poder de compra dos britânicos.
Burnham, de 56 anos, ideologicamente mais à esquerda que seu antecessor Keir Starmer, anunciou nesta terça a eliminação do imposto sobre valor agregado (IVA) das contas de eletricidade das famílias a partir de outubro, para aliviar o custo de vida de milhões de pessoas.
"Estamos tomando uma ação imediata para cortar os impostos sobre a eletricidade, colocar mais dinheiro no bolso das pessoas e restaurar a esperança", declarou Burnham um dia após assumir como chefe de governo, na primeira iniciativa de seu novo gabinete, no qual não houve lugar para os leais a Starmer.
A medida de ajuda será financiada por meio da desistência de um projeto de carteira de identidade digital, especificou o premiê.
Após essa primeira medida, um dia depois de sua nomeação, Burnham afirmou que seu governo deve estar "centrado no poder de compra e na redução do custo de vida, explorando todas as vias possíveis para alcançá-lo".
Diante de seu novo gabinete, de 23 membros, com 12 mulheres e 11 homens, Burnham ressaltou que é necessário "redefinir as prioridades" para aliviar o custo de vida, em um contexto de finanças públicas limitadas.
- Compromisso com a disciplina fiscal -
O primeiro-ministro tentou tranquilizar os mercados reiterando seu compromisso com a disciplina fiscal.
"Devemos demonstrar que nosso compromisso com as regras fiscais é autêntico e que estamos dispostos a adotar decisões difíceis neste sentido", afirmou a seu novo gabinete, sem fornecer mais detalhes.
A imprensa britânica destaca como grande surpresa a nomeação de John Healey para o Ministério das Finanças, até então titular da Defesa com Starmer e que deixou o governo por divergências orçamentárias.
Healey, que substitui Rachel Reeves, enfrenta uma tarefa difícil em um contexto de crescimento econômico fraco e de finanças públicas limitadas pelo elevado nível de endividamento.
O novo ministro das Finanças terá de coordenar as medidas de melhoria do poder de compra prometidas por Burnham, que na segunda-feira se comprometeu a oferecer aos britânicos "um pouco de alívio".
A medida de Burnham sobre as contas de eletricidade contrasta com uma decisão tomada por Starmer, que restringiu o chamado cheque de energia, destinado a custear as despesas de calefação dos pensionistas durante o inverno.
Essa decisão deixou milhões de aposentados sem ajuda, gerando polêmica e prejudicando seu mandato, enquanto o partido antimigração Reform UK subia nas pesquisas.
Na segunda-feira, em seu primeiro discurso como primeiro-ministro, Burnham prometeu um "plano de dez anos" para recolocar o país nos trilhos.
Ele acrescentou que seu plano incluirá uma reforma do sistema educacional, a reindustrialização, a construção de habitações sociais e o compromisso de "erradicar o fenômeno das pessoas em situação de vulnerabilidade".
- Conversa com Trump -
Dentro desse plano, a pasta da Defesa passa às mãos de Wes Streeting, ambicioso ex-ministro da Saúde, que chegou a considerar disputar com Starmer a liderança do Partido Trabalhista.
Streeting terá a missão de pôr em prática o plano de investimento de dez anos destinado a modernizar o Exército.
No plano militar, Burnham anunciou na segunda-feira "100%" de apoio ao presidente ucraniano Volodimir Zelensky em seu conflito com a Rússia, seguindo, nesse sentido, a linha de Starmer.
Burnham expressou também seu "compromisso com a defesa e a segurança" em sua primeira conversa telefônica com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em sua rede Truth Social, o mandatário americano disse que Burnham "tem uma grande tarefa pela frente, mas conseguirá realizá-la e, é claro, os Estados Unidos estarão lá para ajudá-lo!".
Entre as mudanças no gabinete, destaca-se a chegada do ex-líder do Partido Trabalhista (2010 e 2015), Ed Miliband, ao Ministério das Relações Exteriores, até então titular de Energia.
Shabana Mahmood, conhecida por sua firmeza em matéria de imigração, continua como ministra do Interior.
H.Lagomarsino--PV