Pallade Veneta - UE se reúne para discutir crise migratória em Ceuta

UE se reúne para discutir crise migratória em Ceuta


UE se reúne para discutir crise migratória em Ceuta
UE se reúne para discutir crise migratória em Ceuta / foto: JORGE GUERRERO - AFP

Após a crise, é hora de fazer um balanço: os europeus realizam um debate franco nesta terça-feira (4) para tirar lições da onda migratória de Ceuta e das fortes tensões que ela gerou.

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A chegada de dezenas de milhares de pessoas a este enclave espanhol no norte da África evidenciou a fragilidade da cooperação europeia em matéria de imigração.

Desde a viralização de imagens de migrantes cruzando a fronteira a pé ou a nado, surgiram dois lados opostos.

De um lado, a Espanha. Do outro, os Estados-membros da UE que defendem uma política migratória muito firme, como a Itália e a Dinamarca. Esses países lançaram uma ofensiva, lamentando que a "imigração descontrolada" constitua "uma ameaça à Europa".

Exigiram, então, a exclusão da Espanha do Espaço Schengen, a zona de livre circulação na Europa — uma exigência politicamente explosiva, legalmente impossível sob a legislação europeia, e que provocou a ira de Madri.

- Cartas de todas as frentes -

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, cujo governo defende uma abordagem mais aberta à imigração, respondeu com uma carta aos líderes das instituições europeias.

Nessa carta, o líder espanhol criticou duramente a atitude "egoísta" desses países da UE e solicitou uma reunião urgente.

Poucas horas depois, chegou uma contra-carta de 22 países, liderados por Itália, Dinamarca, Alemanha e Hungria, também solicitando uma videoconferência de emergência, mas com um objetivo bem diferente: continuar defendendo sua posição sobre a imigração.

A França não aderiu a essa iniciativa por considerar que equivale a instrumentalizar a situação no enclave espanhol. Ressaltou que a grande maioria dos migrantes que cruzaram a fronteira já havia sido devolvida a Marrocos.

Segundo um representante do governo local de Ceuta, 2.500 migrantes ainda estavam no território na segunda-feira.

- "Portas abertas" -

A reunião entre os ministros do Interior começou nesta terça-feira, pouco depois das 10h00 (5h00 em Brasília).

Durante uma reunião de embaixadores na segunda-feira, a Espanha já havia expressado "sua frustração com a falta de solidariedade" de alguns países da UE, segundo uma fonte diplomática.

Vários Estados-membros questionam os sinais enviados por Madri à luz de algumas decisões recentes. Eles acreditam que seu amplo programa de regularização de imigrantes pode ter dado a impressão de que "as portas estavam abertas".

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saudou a realização da reunião e defendeu uma "resposta europeia comum" para "reforçar as fronteiras".

O.Merendino--PV

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