Exclusão de mulheres em algumas universidades gera critícas na Síria
A decisão do governo sírio de restringir o acesso de mulheres a determinadas universidades reacendeu as críticas sobre a violação de seus direitos pelo regime islamista.
No início das matrículas universitárias, no mês passado, o ministro do Ensino Superior declarou que as alunas não seriam admitidas na maioria dos cursos de dois institutos criados neste ano pelo novo governo sírio.
Segundo as novas medidas, na Universidade Nacional de Ciências da Defesa de Damasco, os cursos reservados aos homens incluem gestão econômica e ciências jurídicas e sociais.
Na Universidade Síria de Ciências da Segurança, também localizada na capital, as mulheres só podem ser admitidas no departamento de cibersegurança.
Apesar das restrições, todas as áreas de estudo continuam abertas às mulheres na Universidade de Damasco, a maior instituição de ensino superior do país.
A AFP entrou em contato com o Ministério do Ensino Superior, mas não obteve resposta.
Para a professora Ahlam Othman, essas restrições representam um "obstáculo adicional para as mulheres na Síria".
Por sua vez, a estudante Israa Salloum afirmou que, embora as novas medidas não afetem a área em que está se formando, "ninguém tem o direito de me obrigar a escolher uma matéria ou de me excluir de outra".
As novas restrições também incluem códigos de vestimenta mais conservadores em algumas praias e limitações à venda de álcool.
As autoridades islamistas lideradas pelo presidente Ahmed al Sharaa chegaram ao poder após 14 anos de guerra civil que pôs fim à ditadura de Bashar al Assad.
No entanto, as medidas adotadas pelo novo regime têm gerado preocupação devido ao seu caráter conservador.
J.Lubrano--PV