Lucas Pinheiro Braathen conquista ouro olímpico histórico para o Brasil e a América Latina
Um dia histórico para o esporte brasileiro: Lucas Pinheiro Braathen não só deu ao seu país e à América Latina a primeira medalha da história dos Jogos Olímpicos de Inverno neste sábado (14), como também conquistou o ouro na prova de slalom gigante do esqui alpino.
Na lendária pista de Stelvio, em Bormio, este showman da neve, nascido há 25 anos em Oslo e representando o país de sua mãe desde 2024, dominou a prova do início ao fim, liderando um pódio completado pelos suíços Marco Odermatt (58 centésimos de segundo atrás), que levou a prata, e Loïc Meillard (a 1,17 segundo), que ficou com o bronze.
"É ouroooooooooooo! O Brasil fez história nos Jogos Olímpicos de Inverno! Pela primeira vez, nosso país sobe ao pódio em uma edição olímpica de inverno", comemorou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua conta no X.
- Líder desde o início -
Lucas foi o primeiro a competir entre os 81 esquiadores e já registrou um tempo espetacular, que o colocou no topo da tabela de tempos, e a partir de então foi assistindo aos demais favoritos ficarem para trás.
Odermatt terminou atrás dele no final da primeira descida, mas com uma diferença de 95 centésimos de segundo, enquanto o terceiro colocado, o também suíço Loïc Meillard, já estava 1 segundo e 57 centésimos atrás.
"Lucas aproveitou muito bem sua posição de largada e seguiu seu plano à risca. Ele esquiou de forma incrível. Foi uma das maiores exibições que se pode ver em uma primeira descida", disse o norueguês Timon Haugan, que terminou a primeira descida quase três segundos atrás do brasileiro.
Diferenças tão significativa colocaram Lucas Pinheiro Braathen em uma posição privilegiada para disputar a medalha de ouro, e ele não a desperdiçou na segunda descida, administrando bem sua vantagem.
- Primeiro da América Latina -
O Brasil, que só estreou nos Jogos Olímpicos de Inverno em Albertville 1992, tinha como melhor resultado na modalidade o nono lugar conquistado por Isabel Clark no snowboard cross de Turim 2006, justamente na edição anterior realizada na Itália e nos Alpes.
Para a América Latina, o melhor resultado histórico em Jogos Olímpicos de Inverno remontava à segunda edição, em St. Moritz, 1928, quando duas equipes argentinas de bobsled terminaram em quarto e quinto lugares, respectivamente.
Na categoria individual, o nono lugar de Isabel Clark foi o melhor resultado já alcançado por um atleta latino-americano, enquanto no esqui alpino, o melhor desempenho da região havia sido o décimo primeiro lugar do chileno Thomas Grob na prova combinada em Nagano, 1998.
Mas tudo isso foi amplamente superado por Lucas Pinheiro Braathen, uma das personalidades mais populares do circuito de esqui, que concilia sua carreira esportiva com o trabalho de modelo publicitário.
- Dois anos como brasileiro -
Campeão mundial de slalom na temporada 2022-2023 da Copa do Mundo, a última pela Noruega antes de uma disputa sobre direitos de imagem o levar a representar o Brasil, Lucas chegou a estes Jogos já como o segundo colocado no ranking mundial da modalidade.
Em novembro passado, ele fez história para o Brasil ao vencer o slalom em Levi, na Finlândia, conquistando a primeira vitória brasileira em uma etapa da Copa do Mundo de Esqui Alpino.
A espetacular medalha de ouro deste sábado também serve como uma revanche pessoal para ele, após a experiência desastrosa nos Jogos Olímpicos de Pequim 2022, quando ainda representava a Noruega e não conseguiu concluir nem no slalom gigante nem no slalom.
Em Milão-Cortina, sua coleção de medalhas pode aumentar na segunda-feira, quando competirá no slalom, onde, após o sucesso deste sábado, chegará embalado e como favorito.
J.Lubrano--PV