Pallade Veneta - João Fonseca busca impulso em casa, no Rio Open 2026

João Fonseca busca impulso em casa, no Rio Open 2026


João Fonseca busca impulso em casa, no Rio Open 2026
João Fonseca busca impulso em casa, no Rio Open 2026 / foto: MAURO PIMENTEL - AFP

Todas as atenções estão voltadas para a estrela em ascensão do tênis brasileiro, João Fonseca, que buscará dar a volta por cima no Rio Open, que começa na segunda-feira (15), após um início de ano para ser esquecido.

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Atualmente na 33ª posição do ranking mundial da ATP, o jovem de 19 anos jogará diante da torcida brasileira, que sonha em vê-lo seguir os passos do inesquecível Gustavo Kuerten, o único brasileiro a alcançar o posto de número 1 do mundo.

Sua temporada, no entanto, começou muito abaixo das expectativas.

Na quarta-feira, João Fonseca perdeu para o chileno Alejandro Tabilo (71º do ranking), por 6-3, 3-6 e 7-5, em sua partida de estreia no Aberto de Buenos Aires, torneio da categoria 250 que ele venceu em 2025.

"Fico um pouco chateado comigo mesmo e triste", lamentou em entrevista coletiva. "É uma derrota muito dura para mim".

Ele afirmou, no entanto, que está mantendo a "cabeça erguida" para o torneio em sua cidade natal, o Rio de Janeiro, a última parada do circuito sul-americano de tênis em quadras de saibro, onde jogará nas categorias de simples e duplas (com seu compatriota Marcelo Melo).

- Problemas físicos -

Problemas nas costas o obrigaram a desistir dos torneios de Brisbane e Adelaide para se concentrar no primeiro Grand Slam do ano, o Aberto da Austrália, onde acabou sendo eliminado na primeira rodada pelo americano Eliot Spizzirri (68º) com parciais de 6-4, 2-6, 6-1 e 6-2.

A desistência de dois dos maiores nomes confirmados no ATP 500 do Rio, o italiano Lorenzo Musetti (lesionado) e o francês Gael Monfils (doente), abre caminho para a conquista do título. Musetti era o único jogador do Top 10 no torneio.

Os argentinos Sebastián Báez (34º), campeão das edições de 2024 e 2025, e Francisco Cerúndolo (19º), o melhor sul-americano do ranking, estarão presentes.

O ano passado foi magnífico para Fonseca. Ele saltou da 145ª para a 24ª posição no ranking mundial.

Apenas dois brasileiros alcançaram uma posição superior à dele: Kuerten (1º em 2000) e Thomaz Bellucci (21º em 2010). Thomas Koch também atingiu o mesmo patamar (24º em 1974).

O interesse em Fonseca e também em sua compatriota Bia Haddad "é percebido diretamente no nosso canal de vendas", disse à AFP Joaquim Lo Prete, gerente no Brasil da agência Absolut Sport, que comercializa pacotes para eventos esportivos.

A procura "cresceu de forma consistente, não apenas para o Rio Open, mas também para torneios internacionais como Wimbledon e US Open", explicou.

- "Estou fazendo minha própria história" -

E Fonseca atrai um público mais jovem.

São "jovens que não se interessavam por tênis", numa "tendência que observamos em outras atividades, como na música e cinema, quando brasileiros concorrem a prêmios internacionais", disse à AFP Thiago Freitas, diretor de operações no Brasil da divisão de esportes da agência de talentos Roc Nation.

No entanto, ainda falta um passo fundamental: uma grande vitória como a de Guga Kuerten em Roland Garros.

"Hoje se fala e se escreve mais sobre ele [João Fonseca} do que se falava e se escrevia sobre Guga, dado o dinamismo das redes sociais. Mas a consolidação, no Brasil, só chega com o lugar mais alto do pódio" Brasileiro, por sua natureza, não valoriza trajetórias e esforço, mas apenas o primeiro lugar", aponta Freitas.

Embora se sinta desconfortável com isso, Fonseca sabe que as comparações com figuras do passado são inevitáveis.

"Dizem: 'João vai ser o próximo Guga, o próximo (Carlos) Alcaraz, o próximo (Jannik) Sinner. Estou fazendo a minha própria história (...). Tudo a seu tempo", afirmou o tenista carioca.

"Não gosto de comparações, mas elas vão acontecer e é preciso saber lidar com isso", concluiu.

R.Zaccone--PV