Pallade Veneta - Tokito Oda, o 'grito da vitória' do número 1 do tênis em cadeira de rodas

Tokito Oda, o 'grito da vitória' do número 1 do tênis em cadeira de rodas


Tokito Oda, o 'grito da vitória' do número 1 do tênis em cadeira de rodas
Tokito Oda, o 'grito da vitória' do número 1 do tênis em cadeira de rodas / foto: Pablo PORCIUNCULA - AFP

Ele era um menino de nove anos que sonhava em ser jogador de futebol quando foi diagnosticado com câncer ósseo na perna esquerda. Uma década depois, o japonês Tokito Oda é o número um do mundo no tênis em cadeira de rodas.

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Vencedor do Golden Slam (os quatro torneios do Grand Slam além da medalha de ouro nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024), Oda reflete sobre sua "jornada perfeita" em entrevista à AFP em meio à disputa do Rio Open.

Nesta sexta-feira, ele perdeu a final para o espanhol Martín de la Puente (nº 3) por 7-6 (7-4), 6-7 (2-7) e 10-7.

Nem sempre se pode vencer, mas este jovem simpático e determinado já conquistou três títulos em Roland Garros, dois em Wimbledon, dois no Aberto da Austrália e um no US Open. E ele quer mais.

Seguem trechos da entrevista, editados para maior compreensão.

Pergunta: O que significou para você completar o Golden Slam ao vencer o US Open no ano passado?

Resposta: "Nunca imaginei que conquistaria o Golden Slam aos 19 anos, ou essa trajetória perfeita. Foi incrível. Agora, meu foco é vencer todos os torneios do Grand Slam em 2026".

P: Você já venceu o Australian Open em janeiro. Como você avalia sua situação atual?

R: "Não tive uma única partida fácil. Chegar ao número um do mundo é difícil, mas ser o número um por 10 anos ou mais é ainda mais. Quero ser o número um por muitos anos. Essa é a minha maior motivação".

- "Estou travando minha maior batalha" -

P: Como você lida com desafios como esses sendo tão jovem?

R: "Sempre sinto que estou travando a minha maior batalha, e sempre continuei em frente. Tive câncer aos 9 anos, e foi um momento decisivo. Isso me tornou mais forte. Eu não sabia nada sobre tênis, nada sobre esportes paralímpicos. Nunca tinha sequer tocado em uma raquete. Não foi fácil a transição para o tênis, mas tenho gostado muito.

Acho que às vezes é parecido com o futebol. Conseguir o efeito na bola, saber como ela vai cair no meu lado da quadra".

A primeira vez que vi tênis em cadeira de rodas, pensei: 'Caramba, é isso que eu quero!'

P: Como foi a experiência de ganhar seu primeiro título de Grand Slam em Roland Garros em 2023?

R: "Meu objetivo era ser o número um. Eu era o número dois (atrás do britânico Alfie Hewett, a quem derrotei na final). Meu nome vem do Arco do Triunfo em Paris. Meus pais me contaram isso, então foi especial ser o número um em uma cidade tão especial".

(Um dos símbolos kanji — caracteres chineses usados na escrita japonesa — para Tóquio é 凱. Isso significa "grito de vitória" e faz parte da tradução do nome do Arco do Triunfo na capital francesa).

- "Faça o que quiser, não tenha medo" -

P: Como você encontra motivação para vencer e continuar vencendo?

R: "Senti que minha vida tinha acabado quando fui diagnosticado com câncer. Senti que não podia mais jogar futebol, não podia mais correr, não podia mais voltar para a escola. Quando descobri este esporte, senti que era o certo. Não retroceda e simplesmente olhe para o futuro."

P: Como é o apoio no Japão?

R: "É um ótimo lugar para o tênis em cadeira de rodas. Nos últimos anos, tivemos Shingo Kunieda (ex-número um do mundo), uma lenda que ajudou a popularizar o esporte. Todo mundo o assiste na TV. Eu me profissionalizei e, quando jogo em Tóquio, até 10.000 pessoas vêm me ver (na quadra). Aqui, quase ninguém. Há uma enorme diferença entre o Japão e a Europa ou os Estados Unidos. Estou fazendo história também neste 'outro mundo'."

P: O que o Tokito Oda de hoje diria ao Tokito Oda de 9 anos de idade?

R: "Faça o que você quiser, seja livre, não tenha medo e, quando chegar a hora, faça explodir!"

E.Magrini--PV