Pallade Veneta - EUA se prepara para batalha por prescrições de pílulas abortivas

EUA se prepara para batalha por prescrições de pílulas abortivas


EUA se prepara para batalha por prescrições de pílulas abortivas
EUA se prepara para batalha por prescrições de pílulas abortivas / foto: Drew ANGERER - AFP/Arquivos

O movimento contra o aborto nos Estados Unidos está de olho em um novo alvo: os médicos que enviam pílulas para outros estados para ajudar mulheres a interromper uma gravidez indesejada.

Alterar tamanho do texto:

Desde que a Suprema Corte americana decidiu anular a proteção federal do direito ao aborto em 2022, estados como Texas e Louisiana adotaram leis rígidas contra este procedimento.

As mulheres que desejam interromper a gravidez, até mesmo as vítimas de estupro ou incesto, agora são forçadas a viajar longas distâncias para outros estados ou solicitar o envio de pílulas abortivas de outras jurisdições.

Os governos do Texas e da Louisiana já entraram com uma ação contra um médico de Nova York, estado que aprovou uma "lei de escudo" para proteger seus médicos de processos externos.

"Este é o primeiro tipo de luta transfronteiriça que vimos desde que foi derrubada" a lei do direito ao aborto, afirmou a acadêmica Mary Ziegler. "E acho que, de certa forma, é apenas a ponta do iceberg", acrescentou.

"Do ponto de vista do Texas ou da Louisiana, estão perguntando: 'Por que este médico está enviando comprimidos para o nosso estado?' E do ponto de vista de Nova York, estão dizendo: 'Nossa médica não estava fazendo nada de errado. Por que vocês estão tentando processá-la'?", explicou Ziegler, professora da faculdade de Direito da Universidade da Califórnia.

- Restrições -

No Texas, o procurador-geeral Ken Paxton declarou que "médicos de outros estados não podem prescrever ilegal e perigosamente medicamentos que induzem o aborto aos residentes" deste estado.

Margaret Carpenter, médica de Nova York e co-fundadora da Abortion Coalition for Telemedicine, foi forçada a parar de enviar pílulas para o Texas e multada em US$ 100.000 (R$ 576.820 na cotação atual).

Na Louisiana, ela enfrenta acusações criminais e o estado solicitou sua extradição, o que foi refutado pela governadora de Nova York, Kathy Hochul. "Nem agora nem nunca", respondeu a governante.

Hochul enfatizou que a lei de proteção do estado foi projetada para "prever esta mesma situação".

De acordo com a #WeCount, uma iniciativa que coleta estatísticas sobre o aborto em todo o país, 10% destes procedimentos no segundo trimestre de 2024 foram realizados sob leis de proteção. Isto representa aproximadamente 10.000 mulheres por mês.

"A tática de perseguir provedores, pacientes e assistentes por meio dos tribunais é definitivamente algo que veremos eles tentarem mais" nos tempos atuais, disse à AFP Amy Friedrich-Karnik, do Instituto Guttmacher.

Enquanto isso, os procuradores-gerais dos estados de Idaho, Kansas e Missouri exigiram que a Administração Federal de Alimentos e Medicamentos (FDA) encerrasse a entrega de receitas para a pílula por meio de consultas médicas on-line, o que efetivamente restringiria o acesso em todo o país.

A Suprema Corte rejeitou uma solicitação semelhante em 2024.

"Há incerteza sobre o que o governo de (Donald) Trump vai fazer. Há incerteza sobre o poder que os estados têm de projetar seu poder fora das fronteiras estaduais. Há incertezas sobre o que a FDA vai decidir", explicou Ziegler.

"O simples fato de não saber o que vai acontecer pode afetar pacientes e médicos. Mas esse é o cenário no momento: há um grande ponto de interrogação em torno de muitas dessas questões", declarou.

D.Bruno--PV