Pallade Veneta - Imposto a super-ricos agita o debate político na França

Imposto a super-ricos agita o debate político na França


Imposto a super-ricos agita o debate político na França
Imposto a super-ricos agita o debate político na França / foto: JEFF PACHOUD - AFP

Os super-ricos devem pagar mais impostos? O novo primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, parece disposto a romper este tabu consolidado no mandato do presidente Emmanuel Macron, entre pedidos de "justiça fiscal".

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Lecornu poderia dar este passo em seu plano orçamentário para 2026, que começou a debater nesta quarta-feira (17) para evitar que o Parlamento derrube seu governo, como aconteceu com seus dois antecessores.

Para alcançar uma maioria estável, o político de centro-direita busca o apoio da oposição socialista, que exige várias medidas, como a implementação da "taxa Zucman".

A medida taxaria em 2% ao ano os patrimônios superiores a 100 milhões de euros (626 milhões de reais), o que afetaria 0,01% dos contribuintes, segundo seu promotor, o economista francês Gabriel Zucman.

A medida permitiria arrecadar 20 bilhões de euros (125 bilhões de reais anuais), segundo o economista de 38 anos. Uma receita importante quando o governo, sob pressão, busca reduzir o déficit (5,8% do PIB em 2024) e a dívida pública (114%).

- Apoio popular -

Este valor representaria quase metade da economia que o antecessor de Lecornu, François Bayrou, propôs em seu plano orçamentário para 2026, que incluiu cortes sociais e a eliminação de dois feriados. O Parlamento rejeitou.

"Estamos diante de um bloqueio orçamentário, político, pela recusa em abordar seriamente o problema da não tributação dos super-ricos", disse Zucman à rádio France Inter.

As demandas por "justiça fiscal" estiveram presentes durante os protestos de 10 de setembro, assim como na greve convocada pelos sindicatos para quinta-feira. "O orçamento será decidido nas ruas", garantiu a líder do CGT, Sophie Binet.

As autoridades preveem 400.000 manifestantes, o dobro da anterior.

Segundo uma pesquisa da Ifop, contratada pelos socialistas e divulgada na terça-feira, 86% dos franceses são favoráveis à "taxa Zucman" e 79% apoiam a redução dos subsídios às grandes empresas.

- Rejeição patronal -

O novo primeiro-ministro prometeu "rupturas" com seus antecessores. Entre seus primeiros anúncios está a renúncia à supressão de feriados e o fim dos benefícios "vitalícios" para ex-membros do governo.

Embora tenha se declarado "disposto" a trabalhar por "justiça fiscal", fechou as portas para a taxa Zucman. Seus aliados republicanos (direita) no governo a rejeitam, assim como a oposição de extrema direita de Marine Le Pen.

A federação patronal Medef também ameaçou com uma "grande mobilização" dos grandes empresários, caso os impostos sejam aumentados, e qualificou a taxa Zucman como "forma de expropriação".

Este aviso é inédito durante o mandato de Macron, que, desde sua chegada ao poder em 2017, reduziu os impostos às empresas e grandes fortunas em nome da competitividade e da atratividade da segunda maior economia da União Europeia.

Os subsídios públicos para as grandes empresas representaram pelo menos 211 bilhões de euros (1,32 trilhão de reais) em 2023, alertou em julho o Senado, que pediu um maior controle.

burs-tjc/avl/jc/fp

J.Lubrano--PV

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