Pallade Veneta - 'Chegou a hora da paz', diz Macron na ONU sobre reconhecimento de Estado da Palestina

'Chegou a hora da paz', diz Macron na ONU sobre reconhecimento de Estado da Palestina


'Chegou a hora da paz', diz Macron na ONU sobre reconhecimento de Estado da Palestina
'Chegou a hora da paz', diz Macron na ONU sobre reconhecimento de Estado da Palestina / foto: ANGELA WEISS - AFP

Emmanuel Macron reconheceu o Estado da Palestina em nome da França, nesta segunda-feira (22) nas Nações Unidas, na tentativa de aumentar a pressão sobre Israel em favor da paz, um movimento histórico, mas ainda sobretudo simbólico.

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"A França reconhece hoje o Estado da Palestina", "pela paz entre o povo israelense e o povo palestino", declarou solenemente o presidente francês entre aplausos na abertura da reunião anual da ONU em Nova York, que será dominada pela guerra em Gaza.

"Estamos aqui porque chegou a hora. Chegou a hora de libertar os 48 reféns mantidos pelo Hamas. Chegou a hora de parar a guerra, os bombardeios em Gaza, os massacres e os deslocamentos forçados. Chegou a hora porque a emergência está em toda parte. Chegou a hora da paz, porque estamos prestes a não conseguir alcançá-la", insistiu.

No entanto, indicou que o estabelecimento de uma embaixada francesa em um futuro Estado da Palestina estaria condicionado à libertação dos reféns mantidos na Faixa de Gaza.

Assim como Israel, os Estados Unidos criticaram o reconhecimento, já formalizado no domingo pelo Reino Unido, Canadá, Austrália e Portugal, e que se esperava que outros países emulassem nesta segunda na ONU.

O presidente americano Donald Trump, principal aliado do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, considera que reconhecer o Estado da Palestina é uma recompensa para o grupo islamista palestino Hamas, segundo sua porta-voz, Karoline Leavitt.

O reconhecimento é o resultado de um processo de vários meses que, há alguns dias, já permitiu a aprovação por ampla maioria na Assembleia Geral de um texto que apoia a criação de um futuro Estado da Palestina, mas exclui explicitamente o Hamas, uma condição exigida por vários países ocidentais.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas - que falou por videoconferência já que seu visto para viajar a Nova York foi negado - também enfatizou este compromisso.

- "Nenhum papel" para o Hamas -

"O Hamas não terá nenhum papel no governo de Gaza. O Hamas e outras facções devem entregar suas armas à Autoridade Palestina", declarou Abbas.

Também condenou "o assassinato e a detenção de civis, incluindo as ações do Hamas de 7 de outubro de 2023", enquanto Israel acusa as autoridades palestinas há quase dois anos de não os denunciarem.

Agora, pelo menos 146 dos 193 Estados-membros da ONU deram este passo, segundo a contagem da AFP. Isso não muda no organismo o status de observador dos palestinos, cuja aspiração de ser um membro pleno está bloqueada pelos Estados Unidos.

Espera-se que nesta segunda-feira Andorra, Bélgica, Luxemburgo, Malta e San Marino, entre outros, também formalizem o reconhecimento, segundo a presidência francesa.

Por sua vez, a Alemanha, que devido ao seu passado nazista transformou o apoio ao Estado de Israel na pedra angular de sua política externa, reafirmou a posição de que o reconhecimento de um Estado da Palestina só deveria acontecer ao final de um processo de negociação para uma solução de dois Estados.

A Itália mantém essa mesma posição, apesar das manifestações que ocorreram nesta segunda em toda a península para "denunciar o genocídio em Gaza".

Na França, o reconhecimento foi recebido com satisfação por quase uma centena de cidades de esquerda, que hastearam a bandeira palestina na fachada de suas prefeituras.

- "Eliminação da vida palestina" -

Alguns diplomatas temem represálias israelenses.

Netanyahu reiterou no domingo que não haverá um Estado da Palestina e ameaçou ampliar a colonização na Cisjordânia, enquanto dois ministros israelenses de extrema direita, Itamar Ben Gvir e Bezalel Smotrich, pediram a anexação desse território palestino ocupado.

"Não deveríamos nos sentir intimidados pelo risco de represálias de Israel", afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, à AFP.

No atual contexto, o discurso de Netanyahu na Assembleia Geral da ONU, previsto para sexta-feira, é muito aguardado.

Para Max Rodenbeck, do International Crisis Group, qualquer esforço para apoiar os direitos palestinos é "bem-vindo", mas sem "medidas concretas", esse reconhecimento corre o risco de "desviar a atenção da realidade: a acelerada eliminação da vida palestina em sua pátria".

O ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 contra o território israelense matou 1.219 pessoas, a maioria civis, segundo dados oficiais.

Segundo o Ministério da Saúde do governo do Hamas, as ofensivas de represália israelenses na Faixa de Gaza, onde o Hamas assumiu o poder em 2007, deixaram ao menos 65.062 mortos, a maioria civis.

O.Pileggi--PV

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