Pallade Veneta - Chile elege presidente afetado pela criminalidade e com extrema direita em ascensão

Chile elege presidente afetado pela criminalidade e com extrema direita em ascensão


Chile elege presidente afetado pela criminalidade e com extrema direita em ascensão
Chile elege presidente afetado pela criminalidade e com extrema direita em ascensão / foto: Marvin RECINOS - AFP

O Chile vota para eleger seu presidente neste domingo(16) com candidatos favoritos entre dois extremos, Jeannette Jara, de esquerda, e José Antonio, de extrema direita, em uma eleição marcada pelo temor à criminalidade que a maioria associa à migração irregular.

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A votação começou às 8h00 locais (mesmo horário em Brasília), com a abertura de mais de 40.000 mesas de votação, que funcionarão por 10 horas.

Mais de 15,6 milhões de eleitores estão convocados a escolher entre oito candidatos o sucessor do esquerdista Gabriel Boric, além de renovar a Câmara dos Deputados e metade do Senado.

Jara, comunista moderada que representa uma coalizão de centro-esquerda, e Kast, líder do Partido Republicano, lideram as intenções de voto, embora nenhum tenha margem suficiente para evitar um segundo turno em 14 de dezembro.

A extrema direita também tem chances de avançar com Johannes Kaiser, do Partido Nacional Libertário, visto como a versão chilena do presidente argentino, Javier Milei.

"Estamos totalmente inseguros. Precisamos de alguém que imponha pulso firme", afirma à AFP Jacqueline Ruz, de 56 anos, em Santiago.

Uma violência desconhecida no Chile deslocou os anseios de mudança que há quatro anos catapultaram ao poder Boric e sua promessa fracassada de mudar a Constituição herdada do ditador Augusto Pinochet (1973-1990), após o levante social de 2019.

Os homicídios aumentaram 140% na última década, passando de uma taxa de 2,5 para 6 para cada 100.000 habitantes, segundo o governo.

No ano passado, o Ministério Público relatou 868 sequestros, um aumento de 76% em relação a 2021.

- Foco na segurança -

Jara, ex-ministra do Trabalho de Boric, de 51 anos, antecipou que garantirá que os chilenos tenham "a segurança de chegar ao fim do mês". Um dos seus planos contra o crime organizado é o levantamento do sigilo bancário para atacar suas finanças.

Seu principal rival compete pela terceira vez à presidência. Kast, de 59 anos, dirigiu sua campanha contra os 337.000 migrantes em condição irregular, em sua maioria venezuelanos.

Kast promete deportações em massa e um "escudo fronteiriço" para conter a entrada de estrangeiros sem documentos. Também afirma que aumentará o poder de fogo da polícia e que a enviará junto aos militares para os pontos críticos de insegurança nas cidades.

O terceiro na disputa, Johannes Kaiser, um deputado de 49 anos, assumiu o discurso mais radical contra os migrantes sem status legal.

Além de expulsá-los, ameaça enviar os que têm antecedentes criminais à prisão de segurança máxima que o presidente Nayib Bukele criou em El Salvador para membros de gangues.

Assim, as eleições deste domingo definem se o Chile terá um governo de extrema direita 35 anos após o fim da ditadura de Pinochet.

B.Fortunato--PV

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