Pallade Veneta - Trump escolhe novo chefe do Comando Sul em meio à tensão com a Venezuela

Trump escolhe novo chefe do Comando Sul em meio à tensão com a Venezuela


Trump escolhe novo chefe do Comando Sul em meio à tensão com a Venezuela
Trump escolhe novo chefe do Comando Sul em meio à tensão com a Venezuela / foto: Andrew Caballero-Reynolds - AFP

Donald Trump nomeou um tenente-general dos Fuzileiros Navais como chefe do Comando Sul para a América Latina, informou o Pentágono na sexta-feira (19), enquanto o presidente americano afirmou não descartar uma guerra com a Venezuela.

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Se for confirmado pelo Senado, o tenente-general do Corpo de Fuzileiros Navais Francis L. Donovan sucederá um almirante que, segundo a imprensa, criticou os ataques contra supostas lanchas do narcotráfico diante dos litoral da Venezuela.

Washington mobilizou um importante dispositivo militar no Caribe e no Pacífico, onde bombardeou embarcações que atribui a supostos traficantes de drogas.

Os ataques já deixaram mais de 100 mortos, segundo um levantamento da AFP com base em informações oficiais. A Venezuela denuncia um complô para derrubar o presidente Nicolás Maduro e se apropriar de seu petróleo.

Em um comunicado publicado na sexta-feira no site do Pentágono, o secretário americano de Defesa, Pete Hegseth, anunciou que Trump nomeou o tenente-general do Corpo de Fuzileiros Navais Francis L. Donovan "para chefiar o Comando Sul dos Estados Unidos (SouthCom)".

O comando é responsável pela América Central e do Sul, assim como por alguns territórios do Caribe.

O militar de alta patente, cuja nomeação deverá ser confirmada pelo Senado, ocupa atualmente o cargo de vice-chefe do Comando de Operações Especiais dos Estados Unidos, segundo o Departamento de Defesa.

A designação ocorre em um contexto de forte crise entre os Estados Unidos e a Venezuela. Trump vem, há semanas, agitando a ameaça de uma intervenção no país latino-americano.

Em uma entrevista à rede NBC na quinta-feira e exibida na noite de sexta-feira, o presidente americano chegou a dizer que não "descarta" uma guerra contra a Venezuela, também ameaçada com um bloqueio petrolífero.

O governo Trump aplica uma pressão máxima contra Maduro e a cúpula de seu governo, que acusa oficialmente, com o apoio da Justiça americana, de liderar um cartel do narcotráfico, o suposto "Cartel de los Soles".

- Reservas sobre operação no Caribe -

Na entrevista, Trump se recusou a dizer se deseja derrubar o presidente venezuelano Nicolás Maduro. "Ele sabe exatamente o que eu quero", afirmou. "Ele sabe melhor do que ninguém", insistiu.

O Conselho de Segurança da ONU se reunirá na terça-feira para abordar a situação entre os dois países, depois que Washington anunciou o bloqueio de navios que transportam petróleo de e para o país sul-americano.

"Está claro que o atual status quo do regime venezuelano é intolerável para os Estados Unidos", afirmou também na sexta-feira o secretário de Estado, Marco Rubio, que prometeu firmeza na aplicação do bloqueio no Caribe a navios petroleiros sancionados.

O Departamento do Tesouro anunciou, por sua vez, novas sanções contra familiares de um sobrinho de Maduro que foi detido e preso sob acusações de narcotráfico nos Estados Unidos em 2017 e posteriormente libertado em uma troca de prisioneiros.

O novo chefe do Comando Sul nomeado por Trump sucederá, se for validado, o almirante Alvin Holsey, que anunciou em meados de outubro que deixaria o cargo em 12 de dezembro para "se aposentar".

A imprensa americana revelou que Holsey havia expressado reservas sobre os ataques navais que os Estados Unidos realizam no Caribe e no Pacífico como parte do combate que, segundo Washington, foi empreendida contra o narcotráfico.

No entanto, nem o almirante Holsey nem o secretário Hegseth deram qualquer explicação além de sua aposentadoria para justificar sua saída antecipada, assim como ocorreu com muitos militares de alta patente destituídos ou que deixaram seus cargos desde o retorno de Trump à Casa Branca.

D.Bruno--PV

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