Pallade Veneta - Aliados de María Corina Machado são soltos dias antes de anistia na Venezuela

Aliados de María Corina Machado são soltos dias antes de anistia na Venezuela


Aliados de María Corina Machado são soltos dias antes de anistia na Venezuela
Aliados de María Corina Machado são soltos dias antes de anistia na Venezuela / foto: Pedro MATTEY - AFP

Dirigentes políticos próximos da Nobel da Paz e líder opositora María Corina Machado foram soltos neste domingo (8) na Venezuela, um mês após o governo interino do país começar a libertar presos políticos, após a queda de Nicolás Maduro.

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Juan Pablo Guanipa, de 61 anos, e Perkins Rocha, de 63, foram soltos dois dias antes de o Parlamento venezuelano votar uma lei de anistia geral proposta pela presidente interina do país, Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro.

Corina Machado, que deixou a Venezuela em sigilo em dezembro para receber o Nobel, e cujo paradeiro é desconhecido desde então, comemorou as libertações.

"Meu querido Juan Pablo, contando os minutos para poder te abraçar! Você é um herói, e a história SEMPRE o reconhecerá. Liberdade para TODOS os presos políticos!!", publicou a opositora em sua conta no X.

Em 8 de janeiro, o governo interino da Venezuela anunciou um processo para libertar um "número significativo" de presos políticos, em meio à pressão exercida pelo governo americano de Donald Trump. Desde então, familiares e ONGs têm denunciado que as solturas estão ocorrendo a conta-gotas.

Ainda há outros colaboradores de Corina Machado presos, entre eles Freddy Superlano, detido durante a contestada reeleição de Maduro em 2024 para um terceiro mandato consecutivo desde 2013.

O ex-embaixador e ex-candidato presidencial Edmundo González Urrutia, que reivindica sua vitória no pleito de 2024, exigiu neste domingo "a liberdade plena e imediata de todas as pessoas presas por razões políticas".

"Estas solturas não equivalem à liberdade plena. Enquanto os casos seguirem abertos, e persistirem medidas restritivas, ameaças e vigilância, a perseguição continua. A justiça não se satisfaz com saídas parciais nem condicionadas", declarou no X González Urrutia, que vive exilado na Espanha.

A ONG Foro Penal, que defende presos políticos, informou ter verificado hoje 30 novas libertações. Segundo seus dados, cerca de 400 pessoas presas por motivos políticos foram soltas desde 8 de janeiro.

- 'Hoje estamos livres' -

Juan Pablo Guanipa, que chegou a ocupar o cargo de vice-presidente do Parlamento, foi preso em 23 de maio de 2025, vinculado a uma suposta conspiração contra a eleição de governadores e deputados para o Parlamento.

Sua libertação foi anunciada por seu filho Ramón Guanipa e, pouco depois, o próprio dirigente libertado postou um vídeo em sua conta no X, no qual mostra o que parece ser seu alvará de soltura.

"Aqui estamos, saindo em liberdade depois de um ano e meio", diz o opositor. "Dez meses escondidos, quase nove meses aqui detido. Hoje estamos livres. Muito o que falar sobre o presente e o futuro da Venezuela, sempre com a verdade em primeiro lugar."

Guanipa passou meses foragido, e sua última aparição pública tinha ocorrido em 9 de janeiro de 2025, quando acompanhou Corina Machado em um ato contra a posse de Maduro após as eleições de 28 de julho de 2024, que a oposição denunciou como fraudulentas.

Foi acusado de terrorismo, lavagem de dinheiro e incitação à violência e ao ódio.

Em 2017, o opositor foi eleito governador do estado petroleiro de Zulia, mas se negou a tomar posse perante a Assembleia Nacional Constituinte instaurada por Maduro, por considerá-la ilegítima. Guanipa foi destituído, e novas eleições foram convocadas no estado.

- Liberado com restrições -

Perkins Rocha, assessor jurídico de Corina Machado e delegado da maior coalizão opositora do país, também se juntou ao grupo de presos políticos libertados neste domingo, confirmaram sua família e a Foro Penal.

A imprensa local divulgou fotografias de uma viatura policial estacionada em frente ao edifício onde Rocha reside em Caracas.

O opositor, que é advogado e professor universitário, foi liberado com medidas cautelares "muito rígidas", publicou sua esposa, María Constanza Cipriani, em seu perfil na rede X, @MaCostanzaCR, sem detalhar as restrições.

"Agora vamos buscar a Liberdade plena", acrescentou, junto com uma fotografia de ambos.

Rocha estava preso há um ano e meio. Ele foi detido em 27 de agosto de 2024, em meio à onda de prisões realizadas após a questionada reeleição de Maduro em 28 de julho de 2024.

A oposição denunciou fraude após o órgão eleitoral venezuelano proclamar a vitória de Maduro sem divulgar os resultados detalhados, como exige a lei, alegando um ataque cibernético aos seus sistemas.

Após a reeleição, protestos irromperam, deixando 28 mortos e mais de 2.400 detidos, os quais Maduro classificou como "terroristas".

P.Colombo--PV

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