Pallade Veneta - Rússia reafirma 'solidariedade' a Cuba em meio ao embargo energético dos EUA

Rússia reafirma 'solidariedade' a Cuba em meio ao embargo energético dos EUA


Rússia reafirma 'solidariedade' a Cuba em meio ao embargo energético dos EUA
Rússia reafirma 'solidariedade' a Cuba em meio ao embargo energético dos EUA / foto: Hector RETAMAL - POOL/AFP

Rússia e Cuba denunciaram, nesta quarta-feira (18), o bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos à ilha caribenha, em uma demonstração de solidariedade de Moscou, onde o ministro das Relações Exteriores cubano se reunirá com o presidente russo, Vladimir Putin.

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O chefe da diplomacia de Cuba, Bruno Rodríguez, viajou à Rússia, um aliado de longa data, em busca de ajuda para seu país, que enfrenta uma grave crise de combustíveis.

A crise em Cuba se agravou em janeiro, quando Trump cortou o fluxo de petróleo venezuelano após a queda de Nicolás Maduro, capturado por forças especiais americanas.

Antes do encontro com Putin, Rodríguez reuniu-se com seu homólogo russo, Serguei Lavrov, e o veterano diplomata russo usou uma linguagem da era soviética para criticar Washington.

"Apelamos aos Estados Unidos para que atuem com bom senso e se abstenham do bloqueio militar e marítimo da ilha da liberdade", disse Lavrov.

Em suas conversas com Lavrov, Rodríguez afirmou que Cuba não mudaria seu rumo político sob pressão dos Estados Unidos.

O chanceler denunciou Washington pela "deterioração da ordem internacional, que já era injusta e precária, mas que agora está sendo substituída pelas práticas do governo dos Estados Unidos, por operações de pilhagem e ocupação de recursos naturais, total transgressão do direito internacional e desrespeito às Nações Unidas".

Havana é aliada de Moscou desde a revolução socialista da década de 1960 e, durante décadas, dependeu da União Soviética para apoio econômico e político.

A Rússia mantém sua "solidariedade com nossos amigos", disse Lavrov, referindo-se a Cuba como "um Estado irmão", mas não fez promessas concretas de apoio material.

Ele condenou os Estados Unidos porque "após mais de 70 anos de bloqueio, agora ameaçam intensificar suas ações ilegítimas e desumanas".

Cuba, que tem 9,6 milhões de habitantes, enfrenta uma grave escassez de combustível e longos apagões. O governo do presidente americano, Donald Trump, intensificou o embargo que Washington aplica contra a ilha desde 1962.

Também pressiona outros países para que não enviem petróleo ao país caribenho, sob ameaça de tarifas.

Para justificar o bloqueio energético, Trump alega que Cuba representa "uma ameaça excepcional" para a segurança nacional de seu país, devido às relações que mantém com Rússia, China e Irã, aliados da ilha.

O governo comunista aplica desde segunda-feira um pacote de medidas de emergência que restringe a venda de combustível e reduziu o transporte público. Além disso, adotou neste mês a semana de trabalho de quatro dias nas empresas estatais.

- "Nossos amigos" -

A situação levou alguns governos de esquerda da América Latina a responder com ajuda a Cuba. Alguns países ofereceram apenas apoio diplomático, enquanto outros optaram pelo silêncio.

A Rússia, um dos maiores produtores de energia do mundo, considerou fornecer ajuda a Cuba e, na semana passada, a mídia estatal noticiou que Moscou poderia enviar petróleo para a ilha.

O porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, disse nesta quarta-feira: "Fornecemos ajuda aos nossos amigos", mas Moscou ainda não se comprometeu publicamente a enviar combustível ou outros tipos de ajuda essenciais.

Desde o envio de tropas para a Ucrânia em 2022, Moscou — sob duras sanções ocidentais — fortaleceu suas alianças da era soviética, como seus laços com a Coreia do Norte.

Cuba não condenou a ofensiva de Moscou na Ucrânia e, durante os quatro anos de guerra, houve relatos de combatentes cubanos sendo recrutados pela Rússia.

O Kremlin informou que Putin, que ainda não se pronunciou publicamente sobre a situação em Cuba, se reunirá com Rodríguez ainda nesta quarta-feira.

Putin, ex-espião da KGB, visitou Cuba em 2014 e se reuniu com o líder revolucionário da ilha Fidel Castro, que morreu dois anos depois.

C.Conti--PV

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