Pallade Veneta - Greve de fome de familiares de presos políticos avança antes de debate sobre anistia na Venezuela

Greve de fome de familiares de presos políticos avança antes de debate sobre anistia na Venezuela


Greve de fome de familiares de presos políticos avança antes de debate sobre anistia na Venezuela
Greve de fome de familiares de presos políticos avança antes de debate sobre anistia na Venezuela / foto: Federico Parra - AFP

A greve de fome de familiares de presos políticos em Caracas entrou, nesta quarta-feira(18), em seu quinto dia, às vésperas de o Parlamento venezuelano retomar o debate sobre uma anistia que especialistas consideram limitada.

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Sob um toldo vermelho, quatro mulheres, de um grupo inicial de dez, permanecem deitadas em colchões sobre o asfalto. Elas recebem revisões médicas constantes porque estão fracas e mal conseguem ficar de pé.

Um quadro registra a contagem das horas acumuladas no protesto iniciado em 14 de fevereiro.

"Nossa greve de fome é uma ação desesperada, mas pacífica, diante de uma injustiça prolongada. Apenas exigimos liberdade, dignidade e respeito aos direitos humanos", diz um comunicado lido pelos familiares mobilizados em frente a uma carceragem da Polícia Nacional em Caracas, conhecida como Zona 7.

A greve é "até onde o meu corpo aguentar", disse à AFP Narwin Gil, familiar de um preso na Zona 7. Elas pedem "liberdade para todos os presos políticos, porque não são criminosos", acrescentou.

A Assembleia Nacional retomará nesta quinta-feira o debate para aprovar a lei de anistia promovida pela presidente interina Delcy Rodríguez.

Delcy governa sob pressão dos Estados Unidos, que capturaram Nicolás Maduro em uma operação militar em 3 de janeiro.

O debate legislativo foi suspenso na quinta-feira passada por falta de acordo sobre um artigo que — tal como está redigido — não se traduziria na libertação imediata de todos os presos políticos.

"Não estamos esperando lei de anistia", argumentou Gil, que insiste em que seu cunhado, José Gregorio Farfán, é inocente e nunca deveria ter sido preso. "Estamos esperando a liberdade de nossos familiares", frisou.

O médico Rafael Arreaza, que foi ministro da Saúde entre 1996 e 1999, visitou as grevistas pela manhã. "Depois de 100 horas sem comer, as alterações em todo o organismo se manifestam de forma muito clara", disse.

"Tive de retirar uma senhora da greve porque ela apresentou uma crise hipertensiva muito grave", acrescentou.

Seis mulheres tiveram que abandonar a greve por recomendação médica. A saúde das quatro restantes está deteriorada.

A própria Gil disse que quase desmaiou. "Fiquei muito fria, o coração começou a bater muito forte, mas minhas companheiras de luta me ajudaram e eu me estabilizei."

Arreaza explicou que negocia o fim da greve de fome em troca de uma permissão para entrar na prisão e avaliar o estado de saúde dos presos políticos.

Até agora, os pedidos para a entrada de médicos na prisão foram negados.

A.Fallone--PV

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