Pallade Veneta - ONU alerta que ações israelenses provocam temor de 'limpeza étnica' no território palestino

ONU alerta que ações israelenses provocam temor de 'limpeza étnica' no território palestino


ONU alerta que ações israelenses provocam temor de 'limpeza étnica' no território palestino
ONU alerta que ações israelenses provocam temor de 'limpeza étnica' no território palestino / foto: Omar al Qattaa - AFP/Arquivos

Os crescentes ataques israelenses e a transferência forçada de civis palestinos "despertam temores de uma limpeza étnica" na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, advertiu a ONU nesta quinta-feira (19).

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O Escritório de Direitos Humanos da ONU afirmou que o impacto acumulado da ação militar israelense durante a guerra em Gaza, somado ao bloqueio do território, criou condições de vida "cada vez mais incompatíveis com a existência contínua dos palestinos como um grupo em Gaza".

"Os ataques intensificados, a destruição metódica de bairros inteiros e a recusa de assistência humanitária parecem ter como objetivo uma mudança demográfica permanente em Gaza", afirmou o escritório em um relatório.

"Isto, em conjunto com as transferências forçadas, que parecem ter como finalidade um deslocamento permanente, suscita preocupação com uma limpeza étnica em Gaza e na Cisjordânia", acrescenta o documento.

O relatório envolve o período de 1º de novembro de 2024 a 31 de outubro de 2025.

Na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Leste anexada, o relatório destaca que o "uso sistemático da força ilícita" pelas forças de segurança israelenses, as detenções arbitrárias e a "demolição extensiva ilegal" das casas dos palestinos acontecem para "discriminar sistematicamente, oprimir, controlar e dominar o povo palestino".

"Estas violações alteram o caráter, status e a composição demográfica da Cisjordânia ocupada, provocando sérias preocupações de limpeza étnica", indica o relatório.

- Opção desumana -

Em Gaza, o relatório condena as contínuas mortes e mutilações de "um número sem precedentes de civis", a propagação da fome e a destruição do que "resta da infraestrutura civil".

Durante os 12 meses abordados pelo relatório, pelo menos 463 palestinos – incluindo 157 crianças – morreram de fome em Gaza, aponta o documento.

"Os palestinos enfrentaram a opção desumana de morrer de fome ou arriscar-se a morrer tentando conseguir comida", afirma.

"A situação de fome e desnutrição é o resultado direto de ações tomadas pelo governo israelense", indica.

No período, o Hamas e outros grupos armados palestinos mantiveram reféns israelenses e estrangeiros capturados nos ataques de 7 de outubro de 2023 – mortos ou vivos – como "peças de negociação".

Segundo o escritório da ONU, o tratamento dos reféns constitui um crime de guerra.

"As forças israelenses, o Hamas e outros grupos armados palestinos cometeram graves violações do direito humanitário internacional em Gaza, sérias violações e abusos do direito humanitário internacional e crimes atrozes", afirma o documento.

- Impunidade -

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, advertiu que o mundo está presenciando "passos rápidos para mudar de forma permanente a demografia do território palestino ocupado".

O ministro israelense de extrema direita Bezalel Smotrich defendeu na terça-feira o plano de "incentivar a migração" dos territórios palestinos.

O relatório da ONU divulgado nesta quinta-feira conclui que as práticas israelenses em seu conjunto "indicam um esforço coordenado e acelerado para consolidar a anexação de grandes partes do território palestino ocupado e negar o direito dos palestinos à autodeterminação".

Também aponta que existia um clima generalizado de impunidade diante de graves violações do direito internacional por parte das autoridades israelenses nos territórios palestinos.

"A impunidade não é abstrata, mata. A responsabilização é indispensável. É o pré-requisito para uma paz justa e duradoura na Palestina e em Israel", afirmou Türk Turk em um comunicado.

U.Paccione--PV