Pallade Veneta - Começa julgamento na Argentina pela morte de 44 marinheiros em implosão de submarino em 2017

Começa julgamento na Argentina pela morte de 44 marinheiros em implosão de submarino em 2017


Começa julgamento na Argentina pela morte de 44 marinheiros em implosão de submarino em 2017
Começa julgamento na Argentina pela morte de 44 marinheiros em implosão de submarino em 2017 / foto: Eiran Abramovich - AFP/Arquivos

A Justiça argentina inicia nesta terça-feira (3) um julgamento pelo naufrágio do submarino ARA San Juan, que implodiu submerso com seus 44 tripulantes em 2017, sem que tenha sido possível elucidar como ocorreu a tragédia, a maior da Marinha em tempos de paz.

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Os restos do submarino foram localizados um ano depois. Ainda permanecem a mais de 900 metros de profundidade e a 500 quilômetros da costa de Santa Cruz, cuja capital, Río Gallegos, é onde se inicia o primeiro julgamento.

O submarino havia partido em patrulha sete dias antes de seu desaparecimento do porto de Ushuaia (sul), e retornava à base em Mar del Plata (sul de Buenos Aires).

Em 15 de novembro de 2017, informou uma falha elétrica e o princípio de um incêndio. Foi sua última mensagem.

Sua busca reuniu esforços de dezenas de países e manteve em suspense a sociedade e o governo do ex-presidente de direita Mauricio Macri (2015-2019).

Nenhum dos familiares das vítimas, 43 homens e uma mulher, é esperado no julgamento.

"Eles não conseguem nem pagar as fotocópias, muito menos um avião e hospedagem", explicou à AFP a advogada Valeria Carreras, que representa 34 famílias de vítimas.

"São pessoas sem poder, dinheiro ou sobrenome; sentiram-se os 'ninguéns' nestes oito anos, por isso há muita expectativa. A visibilidade é importante para que o esquecimento e o tempo não sejam cúmplices da impunidade", acrescentou.

As penas possíveis – de um a cinco anos de prisão – contrastam com a dimensão dos fatos. Suspeita-se de falhas administrativas, de manutenção e de segurança.

As acusações são de descumprimento e omissão de obrigações e de dano culposo qualificado.

Os acusados, que chegam ao julgamento em liberdade, são o ex-chefe do Comando de Treinamento Luis López Mazzeo, o ex-comandante da Força Submarina Claudio Villamide, o ex-chefe do Estado-Maior do Comando Submarino Héctor Alonso e o ex-chefe de Operações Hugo Correa.

Em 2021, um Conselho de Guerra destituiu Villamide por negligência e puniu outros oficiais com até 45 dias de detenção por ocultação de informações.

- "Invisibilizar" -

A Justiça rejeitou um pedido do advogado Luis Tagliapietra, pai de Alejandro – morto no ARA aos 27 anos –, para que o julgamento fosse realizado em Mar del Plata, a 400 km da capital argentina, onde residiam os tripulantes.

Os familiares realizaram protestos em frente aos prédios da Marinha nesta localidade durante o período das buscas e também depois da localização do submarino, uma exposição que incomodou a força.

Também denunciaram que foram vítimas de espionagem, um caso em que Macri foi processado e que a Suprema Corte encerrou em 2025.

"Levando o debate para Río Gallegos, tão distante de Buenos Aires, buscam invisibilizar a tragédia", disse à AFP o advogado que representa cerca de 20 familiares.

"Este é o primeiro processo; a investigação sobre os demais responsáveis na linha de comando, que chega até Macri, ainda não foi concluída", acrescentou o advogado ao recordar que ainda faltam analisar "67.000 fotos e horas de vídeo".

Carreras disse que mais de 90 testemunhas devem apresentar provas durante o julgamento.

A hipótese é que o submarino teve uma falha de válvula que permitiu a entrada de água no compartimento das baterias, desencadeou um incêndio e depois uma explosão. Mas, para comprová-la, seria necessário recuperar os destroços, uma operação milionária, segundo os demandantes.

P.Colombo--PV

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