Cisjordânia registra greves contra lei israelense de pena de morte para palestinos
Comércios e instituições públicas palestinas fecharam nesta quarta-feira (1º) na Cisjordânia ocupada em protesto contra uma lei israelense que permite executar palestinos condenados por ataques mortais.
Nas principais cidades desse território palestino, como Hebron, Ramallah e Nablus, a maioria das lojas estava fechada ao meio-dia, informaram jornalistas da AFP.
O partido Fatah, do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, havia convocado uma greve geral.
Em Ramallah, sede da Autoridade Palestina ao norte de Jerusalém, cerca de 150 pessoas se reuniram para protestar contra a lei promovida pelo ministro da Segurança Nacional de extrema direita, Itamar Ben Gvir.
"É uma lei absurda, uma loucura", afirmou Mohamed Gusein, estudante de 24 anos da Universidade Al Quds, que, como todas as instituições universitárias palestinas, aderiu à greve.
"Está completamente distante da humanidade e é totalmente racista", declarou à AFP.
Riman, uma psicóloga de 53 anos de Ramallah, está preocupada.
"Não há uma única pessoa aqui que não tenha um irmão, um marido, um filho ou até mesmo um vizinho na prisão", disse à AFP.
"Hoje sentimos muita raiva, porque também há uma verdadeira fraqueza na solidariedade com eles. A ocupação (Israel) está apostando na fraqueza das ruas", afirmou Riman, que preferiu não divulgar seu sobrenome.
Segundo a nova lei, aprovada no Parlamento na segunda-feira, os palestinos da Cisjordânia condenados por tribunais militares por realizar ataques mortais classificados como "terrorismo" estarão sujeitos à pena de morte como sentença padrão.
Nos tribunais civis israelenses, a lei permite a pena de morte ou prisão perpétua para aqueles condenados por matar com a intenção de prejudicar o Estado.
Como os palestinos nesse território são julgados automaticamente por tribunais militares israelenses, a nova lei estabelece, na prática, um sistema judicial distinto e mais severo.
A lei não prevê aplicação retroativa.
A Cisjordânia, ocupada desde 1967, é palco de atos violentos que aumentaram desde que o movimento islamista palestino Hamas atacou Israel em 7 de outubro de 2023, desencadeando a guerra em Gaza.
Y.Destro--PV