Pallade Veneta - Candidata a secretária-geral classifica ONU como 'conservadora em matéria de riscos'

Candidata a secretária-geral classifica ONU como 'conservadora em matéria de riscos'


Candidata a secretária-geral classifica ONU como 'conservadora em matéria de riscos'
Candidata a secretária-geral classifica ONU como 'conservadora em matéria de riscos' / foto: CHARLY TRIBALLEAU - AFP

A costarricense Rebeca Grynspan, candidata a secretária-geral da ONU, lamentou nesta quarta-feira (22) que a organização tenha se tornado "conservadora em matéria de riscos", com dificuldades para influenciar os conflitos atuais.

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"A paz está ameaçada porque a confiança na organização está diminuindo e porque o tempo está se esgotando para recuperá-la", declarou durante uma audiência de três horas diante dos Estados-membros.

"Se eu for eleita secretária-geral, serei uma pacificadora. Atuarei antes que os conflitos explodam. Serei a primeira a pegar o telefone. Irei onde as guerras estão acontecendo. Falarei com todas as partes", prometeu.

Como mediadora, "proporia dez ideias" para resolver cada conflito, "e mesmo que fracassem, aceitarei o preço da rejeição e continuarei tentando", acrescentou.

"Nos tornamos uma organização conservadora em matéria de riscos", lamentou também.

O atual secretário-geral da ONU, o português António Guterres, cujo segundo mandato termina em 31 de dezembro de 2026, é acusado por alguns observadores de não se envolver diretamente ou o suficiente para influenciar os conflitos, da Ucrânia ao Oriente Médio.

"A ONU só fracassa quando não tenta. Devemos tentar", enfatizou Grynspan, ao lembrar que, como diretora da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, negociou a "Iniciativa do Mar Negro" com Moscou e Kiev em 2022 para facilitar a exportação de cereais ucranianos após a invasão russa.

A ex-vice-presidente da Costa Rica foi a terceira candidata a responder a um longo questionário de Estados-membros e representantes da sociedade civil.

O ex-presidente do Senegal Macky Sall foi o último dos quatro aspirantes ao Secretariado da ONU a participar da sabatina.

Ele defendeu "um papel reinventado" para o secretário-geral das Nações Unidas, a fim de que o organismo "recupere o seu lugar na mesa global".

Também enfatizou os vínculos entre paz e desenvolvimento, "as crescentes desigualdades' e a necessidade de reformar a arquitetura financeira internacional.

Questionado sobre a ausência de qualquer referência aos direitos humanos em sua carta de candidatura, assegurou que daria "atenção particular" ao assunto.

"Está claro que a promoção dos direitos humanos só pode trazer bem-estar", afirmou.

As atuais autoridades senegalesas acusaram Sall de reprimir com violência os protestos políticos entre 2021 e 2024, que deixaram dezenas de mortos em seu país.

Os outros dois candidatos a liderar a ONU, a chilena Michelle Bachelet e o argentino Rafael Grossi, foram sabatinados na terça-feira.

R.Lagomarsino--PV

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