Pallade Veneta - Leão XIV conclui na Guiné Equatorial uma agitada viagem pela África

Leão XIV conclui na Guiné Equatorial uma agitada viagem pela África


Leão XIV conclui na Guiné Equatorial uma agitada viagem pela África
Leão XIV conclui na Guiné Equatorial uma agitada viagem pela África / foto: Alberto Pizzoli - AFP

O papa Leão XIV concluiu nesta quinta-feira (23) sua viagem pela África com uma missa ao ar livre na Guiné Equatorial, uma antiga colônia espanhola, após um intenso périplo de 11 dias que começou com duras críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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Com 18 voos, oito missas, discursos em vários idiomas, encontros, cerimônias e banhos de multidão, tudo sob o calor tropical, o papa norte-americano cumpriu uma agenda intensa durante essa viagem de 18 mil quilômetros por quatro países, sua primeira grande viagem internacional.

Da Argélia aos Camarões, e depois à Angola, Leão XIV fez apelos por justiça social, paz e respeito à dignidade humana, ao mesmo tempo em que denunciou as desigualdades, a corrupção e a exploração injusta dos recursos naturais por parte de "tiranos".

Durante a viagem, adotou um estilo mais firme, distante da contenção exibida desde sua eleição em maio de 2025, atacando "aqueles que, em nome do lucro, continuam se apropriando do continente africano para explorá-lo e saqueá-lo".

Na manhã desta quinta-feira, o papa celebrou uma missa diante de 30 mil fiéis no estádio de Malabo, antiga capital situada na ilha de Bioko, no golfo da Guiné, durante seu último dia nesse país de dois milhões de habitantes.

Durante o voo de retorno a Roma, onde aterrissou por volta das 19h20 locais (14h20 de Brasília), Leão XIV defendeu a decisão de manter relações diplomáticas com Estados que têm "dirigentes autoritários".

A Santa Sé "continua, às vezes à custa de grandes sacrifícios, mantendo relações diplomáticas em todo o mundo", explicou o papa norte-americano durante uma coletiva de imprensa a bordo do avião de volta a Roma desde a Guiné Equatorial.

"E às vezes temos relações diplomáticas com países que têm dirigentes autoritários", reconheceu o sumo pontífice, ao ser questionado sobre o risco de que sua visita fosse instrumentalizada para legitimar o poder estabelecido.

A Santa Sé mantém relações diplomáticas com 184 Estados, dos quais aproximadamente a metade está representada por uma embaixada em Roma.

- "Vocês não estão sozinhos" -

Na quarta-feira, diante do presidente Teodoro Obiang Nguema, que governa a Guiné Equatorial com mão de ferro desde 1979, pediu que "se ampliem os espaços de liberdade" e denunciou as "preocupantes condições de higiene e saúde" dos presos do país.

Nesse dia, visitou a prisão de Bata, segunda cidade do país, onde foi recebido com uma cerimônia preparada nos mínimos detalhes pelas autoridades.

Assim que chegou à prisão, os detentos, vestidos de laranja, cantaram e dançaram em coro uma canção alegre, sob o olhar atento das autoridades, que sorriam satisfeitas.

De repente, começou a chover e o papa, que viveu mais de 20 anos no Peru, país do qual também tem nacionalidade, disse em espanhol: "Em alguns lugares, a chuva é sinal da bênção de Deus!"

"A administração da justiça tem como objetivo proteger a sociedade, mas, para ser eficaz, deve sempre investir na dignidade e nas potencialidades de cada pessoa", afirmou, antes de transmitir uma mensagem de esperança e encorajamento.

"Vocês não estão sozinhos", insistiu.

O início da viagem africana de Leão XIV foi parcialmente ofuscado pelas críticas virulentas de Trump, que o qualificou de "fraco" e "nulo em política externa".

Posteriormente, o papa lamentou que seus discursos fossem interpretados como uma resposta às críticas e assegurou que não tinha "interesse" em "debater" com Trump.

Aos 70 anos, Robert Francis Prevost, relativamente jovem para um pontífice, demonstra um dinamismo que contrasta com os problemas de saúde enfrentados por seu antecessor argentino, Papa Francisco, falecido há um ano aos 88 anos.

Sua próxima viagem ao exterior será de 6 a 12 de junho, na Espanha.

O.Pileggi--PV

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