Trump considera 'muito possível' acordo de paz com Irã, mas mantém ameaças
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considerou nesta quarta-feira (6) "muito possível" um acordo de paz com o Irã, mas manteve a ameaça de retomar os bombardeios, enquanto o principal negociador iraniano acusava Washington de buscar a "rendição" do país.
"Tivemos conversas muito boas nas últimas 24 horas, e é muito possível que consigamos um acordo", disse Trump aos jornalistas no Salão Oval.
O bilionário republicano já havia demonstrado uma postura conciliadora nas primeiras horas do dia.
"Supondo que o Irã aceite entregar o que foi acordado, o que talvez seja pedir muito, a já lendária 'Fúria Épica' chegará ao fim", afirmou Trump na Truth Social.
Mas, se os iranianos não chegarem a um acordo, "os bombardeios voltarão a começar, e terão, infelizmente, um nível e uma intensidade superiores aos de antes", advertiu, em referência à campanha americano-israelense realizada entre 28 de fevereiro e o cessar-fogo de 8 de abril.
O principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que os Estados Unidos buscam forçar a "rendição" de Teerã mediante "um bloqueio naval, pressão econômica e manipulação midiática", com o objetivo de "destruir a coesão do país".
Mas a República Islâmica evitou fechar completamente a porta, e o porta-voz de sua diplomacia, Esmail Baghaei, afirmou que "o Irã continua examinando o plano e a proposta americana".
- Festa em Wall Street -
Os mercados financeiros optaram por se apegar a um cenário otimista, e Wall Street fechou o pregão com alta de cerca de 2%, acompanhando bolsas europeias eufóricas.
Os preços do barril de Brent despencaram para 101,27 dólares, muito abaixo do pico de 126 dólares alcançado há alguns dias.
Trump havia anunciado na terça-feira uma pausa em uma operação militar americana para guiar navios comerciais retidos através do estreito de Ormuz, iniciada no dia anterior, alegando que havia uma oportunidade de fechar um acordo para encerrar a guerra.
Teerã mantém bloqueada essa passagem estratégica para o comércio mundial de hidrocarbonetos desde o início da guerra, que causou milhares de mortos, sobretudo no Irã e no Líbano.
Washington, por outro lado, manteve o bloqueio dos portos iranianos lançado em 13 de abril, e o Pentágono anunciou nesta quarta-feira que um petroleiro iraniano que tentava rompê-lo foi neutralizado por um disparo em seu leme.
Além disso, o porta-aviões Charles de Gaulle será pré-posicionado na região do Golfo, segundo as autoridades francesas, em um momento em que a coalizão formada por Reino Unido e França está pronta para assegurar o Estreito de Ormuz após um eventual acordo.
Enquanto isso, um porta-contêineres da armadora francesa CMA CGM conseguiu sair do Golfo nesta quarta-feira, indicou à AFP uma fonte marítima.
- "Esperanças" -
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, cujo país sediou em 11 de abril negociações diretas entre Irã e Estados Unidos que até agora não tiveram continuidade, disse ter "esperanças" de que "a dinâmica atual desemboque em um acordo duradouro".
Israel, no entanto, está "preparado para todos os cenários" diante do Irã, advertiu o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
E o Exército israelense está pronto para retomar uma operação "firme e poderosa", assegurou seu comandante.
O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, afirmou por sua vez, ao fim de uma visita à China, que Teerã conta com Pequim — principal compradora de seu petróleo — para estabelecer "um novo marco regional de pós-guerra que possa equilibrar desenvolvimento e segurança".
Seu par chinês, Wang Yi, pediu um cessar-fogo "completo" das hostilidades e convocou Estados Unidos e Irã a reabrirem "o mais rápido possível" o Estreito de Ormuz.
- "Pressão psicológica" -
No Irã, alguns não escondem o cansaço.
"Passamos por tantas dificuldades e sofrimento, e não haverá nenhuma conquista para as pessoas?", comentou Azadeh, uma tradutora de 43 anos residente em Teerã. "Honestamente, só espero que acabem com este regime."
Por outro lado, viver em meio a essa incerteza faz com que "a pressão psicológica seja intensa", acrescentou ela, contatada por uma jornalista da AFP em Paris.
O lançamento, na segunda-feira, da operação americana no Estreito de Ormuz veio acompanhado de confrontos marítimos entre iranianos e americanos, além de ataques contra os Emirados Árabes Unidos atribuídos ao Irã, após semanas de relativa calma.
Na frente libanesa, Malek Ballout, um alto comandante do movimento islamista pró-iraniano Hezbollah, morreu em um bombardeio israelense em Beirute, o primeiro contra a periferia sul da capital desde o cessar-fogo de 17 de abril, indicou à AFP uma fonte próxima ao grupo.
O Ministério da Saúde libanês também registrou quatro mortos no leste do país em um bombardeio israelense. Nessa região e sobretudo no sul do país, as hostilidades entre Israel e Hezbollah continuam apesar da trégua.
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I.Saccomanno--PV