Ataques cruzados entre EUA e Irã elevam tensões no Oriente Médio
Ataques cruzados entre o Irã e os Estados Unidos nas últimas horas elevam a tensão no Oriente Médio, no momento em que Washington aguarda uma resposta de Teerã à sua última proposta de paz para pôr fim à guerra.
Segundo o Exército americano, suas tropas dispararam contra dois petroleiros de bandeira iraniana e os deixaram fora de serviço quando os navios tentaram violar o bloqueio aos portos do Irã.
Um F/A-18 Super Hornet da Marinha dos EUA “neutralizou ambos os petroleiros após disparar munições de precisão”, impedindo que os navios entrassem no Irã, indicou o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) no X.
A agência iraniana Fars noticiou “confrontos esporádicos” no Estreito de Ormuz, apesar do cessar-fogo oficialmente em vigor.
Pouco antes, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, acusou os Estados Unidos de “violação flagrante” do cessar-fogo. Acrescentou que as forças iranianas deram “um grande tapa no inimigo”.
Na noite anterior, o Centcom afirmou que o Irã lançou mísseis, drones e pequenas embarcações contra três navios de guerra americanos que transitavam pelo estreito, mas que nenhum foi atingido.
Acrescentou que as forças americanas destruíram as ameaças iminentes e responderam com ataques contra bases terrestres no Irã.
O comando militar central do Irã, Khatam al-Anbiya, respondeu que o confronto começou quando navios americanos atacaram um petroleiro iraniano que se dirigia ao Estreito de Ormuz, e acusou o inimigo de atacar áreas civis.
Os ataques atingiram as cidades de Bandar Khamir e Sirik, localizadas no lado iraniano do estreito, assim como a ilha de Qeshm, disse.
Afirmou que o ataque foi realizado com a cooperação de “alguns países da região”. Não os especifica, mas os Emirados Árabes Unidos afirmaram ter tido de interceptar uma salva de drones e mísseis iranianos e relataram três feridos.
O presidente dos EUA, Donald Trump, considerou o confronto noturno “um incidente menor” que, segundo ele, não afeta o cessar-fogo. “Hoje mexeram com a gente. Demos neles uma boa surra”, declarou.
Washington transmitiu ao Irã, por meio de mediadores paquistaneses, uma proposta para prorrogar a trégua. A ideia é seguir negociando uma solução definitiva para a guerra iniciada há dez semanas por ataques americanos e israelenses contra Teerã.
O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, disse esperar uma resposta nesta sexta‑feira.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano declarou que a proposta continua “em estudo e que, uma vez tomada uma decisão definitiva, sem dúvida será divulgada”, segundo a agência de notícias Isna.
Após o início da guerra em 28 de fevereiro, o Irã fechou na prática o Estreito de Ormuz. Mais tarde, os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos portos iranianos.
No domingo, Trump anunciou uma operação naval americana para reabrir o estreito ao tráfego comercial, mas na terça‑feira mudou de ideia e passou a apostar na retomada das negociações.
Nesta sexta‑feira, duas fontes sauditas informaram à AFP que o reino negou permissão ao Exército americano para utilizar suas bases e seu espaço aéreo para a operação de Ormuz.
- “Algo inaceitável” -
Nesta semana, o Irã criou uma autoridade encarregada de autorizar o trânsito pelo Estreito de Ormuz e de cobrar pedágios dos navios.
Rubio condenou a medida. “O Irã agora afirma que é dono de uma via navegável internacional, que tem o direito de controlá-la (...) Isso é algo inaceitável que eles estão tentando normalizar”, disse.
Cerca de 1.500 embarcações e 20 mil tripulantes internacionais estão bloqueados na região do Golfo devido à guerra, segundo a Organização Marítima Internacional da ONU.
O Comando Central dos Estados Unidos afirmou nesta sexta que suas forças impedem que 70 petroleiros entrem ou saiam dos portos iranianos.
Na frente libanesa da guerra, o grupo pró-Irã Hezbollah declarou nesta sexta ter lançado mísseis contra uma base militar no norte de Israel, em resposta aos ataques israelenses.
Israel realizou, na noite de quarta-feira, um ataque no subúrbio sul de Beirute, reduto do Hezbollah, pela primeira vez em quase um mês. Um comandante do grupo morreu no ataque.
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J.Lubrano--PV