Pallade Veneta - OMS eleva risco de ebola na RDC ao nível máximo

OMS eleva risco de ebola na RDC ao nível máximo


OMS eleva risco de ebola na RDC ao nível máximo
OMS eleva risco de ebola na RDC ao nível máximo / foto: Fabrice Coffrini - AFP/Arquivos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou nesta sexta-feira (22) o nível de risco da epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC) de "alto" para "muito alto", o máximo. A organização manteve inalterado o nível de risco em escalas regional e mundial.

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"A epidemia de ebola na RDC se propaga rapidamente", apontou em entrevista coletiva o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. "Antes, a Organização havia avaliado o risco como alto em nível nacional e regional, e baixo em nível mundial. Atualmente, estamos revisando nossa avaliação de riscos para classificá-lo como muito alto em nível nacional, alto em nível regional e baixo em nível mundial".

"Muito alto" é "o nível de risco mais elevado", informou à AFP um porta-voz da OMS.

A epidemia se propagou nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, divididas pela linha de frente entre as forças congolesas e o grupo armado M23, apoiado por Ruanda, que se apoderou de grandes extensões de território desde 2021.

Diante dessa situação, a resposta sanitária é difícil e provocou cenas de caos em Ituri, onde fica o foco da epidemia e para onde a OMS enviou mais pessoal.

Até agora, "foram confirmados 82 casos, incluindo sete mortes" na RDC, indicou Tedros, mas ele precisou que há no país cerca de 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas.

A isso se somam medidas "insuficientes" para controlar a epidemia e a falta de acesso para trabalhadores humanitários, segundo Abdi Mahamud, diretor de operações de alerta e resposta a emergências sanitárias da OMS.

- Tratamentos e vacinas -

Em Uganda, foram confirmados dois casos e uma morte foi registrada, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Um americano que contraiu ebola na RDC está hospitalizado na Alemanha. Outro cidadão americano, considerado contato de alto risco, foi transferido para a República Tcheca, segundo Tedros.

Em Ituri, as autoridades provinciais anunciaram nesta sexta-feira a proibição dos velórios até segunda ordem. As reuniões públicas agora estão limitadas a um máximo de 50 pessoas.

Em Kivu do Norte, o transporte de passageiros em ônibus e táxis foi suspenso em certos eixos. O grupo armado antigovernamental Movimento 23 de Março, que controla a cidade de Goma, indicou em um comunicado que "colaborará com os serviços sanitários dependentes de Kinshasa" para tentar conter a epidemia.

O Ministério da Saúde de Ruanda anunciou hoje que vai negar a entrada no país de qualquer estrangeiro que tenha viajado pela vizinha RDC. Cidadãos ruandeses e estrangeiros com residência poderão entrar, mas estarão sujeitos a uma quarentena obrigatória, "em conformidade com os protocolos de saúde pública".

Nos Países Baixos, o hospital da Universidade Radboud informou hoje que recebeu um paciente com "baixa suspeita" de ebola, que se encontra em isolamento enquanto aguarda os resultados dos exames diagnósticos.

- 'Desenfreado' -

O ebola provoca uma febre hemorrágica letal, mas o vírus, que causou mais de 15 mil mortes na África nos últimos 50 anos, é menos contagioso que os da covid ou do sarampo.

"O potencial desse vírus de se propagar rapidamente é muito alto, o que muda toda a dinâmica”, destacou Abdi Mahamud.

Anne Ancia, representante da OMS na RDC, destacou que o número de casos seguirá aumentando até que todas as operações de resposta estejam em andamento. Ela ressaltou que o aumento de casos nesta fase é um "bom sinal", pois mostraria que a vigilância e a descoberta ativa de casos estão funcionando.

O vírus está "desenfreado e se alastra silenciosamente há algumas semanas", disse a funcionária. As vacinas existentes são eficazes apenas contra a cepa Zaire do vírus, responsável pelas maiores epidemias registradas.

O grupo "R&D Blueprint" da OMS reuniu seu grupo consultivo técnico sobre tratamentos e "recomendou dar prioridade a dois anticorpos monoclonais para avançar rumo a ensaios clínicos", ressaltou Tedros.

Trata-se de "Regeneron 3479" e "Mapp Bio MBP134", segundo a cientista-chefe da OMS, Sylvie Briand.

G.Riotto--PV