Pallade Veneta - Irã rejeita que inspetores da AIEA acessem instalações nucleares bombardeadas

Irã rejeita que inspetores da AIEA acessem instalações nucleares bombardeadas


Irã rejeita que inspetores da AIEA acessem instalações nucleares bombardeadas
Irã rejeita que inspetores da AIEA acessem instalações nucleares bombardeadas / foto: Fabrice COFFRINI - AFP

O Irã declarou, nesta terça-feira (23), que não permitirá o acesso de inspetores da AIEA às instalações nucleares bombardeadas por Israel e pelos Estados Unidos no ano passado, ao término da primeira rodada de negociações com Washington para pôr fim à guerra no Oriente Médio.

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Na semana passada, Teerã e Washington assinaram um memorando de entendimento para interromper uma guerra que deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e abalou a economia global.

O memorando estabeleceu as bases para as negociações que começaram no domingo na Suíça, com a mediação do Paquistão e do Catar. O objetivo é chegar a um acordo final em 60 dias prorrogáveis, sobre questões como o programa nuclear iraniano e as sanções internacionais contra Teerã.

O Irã confirmou nesta terça-feira que as negociações técnicas foram concluídas e anunciou a criação de quatro grupos de trabalho para tratar dessas questões.

No entanto, refutou as declarações do vice-presidente dos EUA, JD Vance, negando que seu governo tivesse concordado em convidar inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para monitorar as instalações nucleares bombardeadas pelas forças israelenses e americanas durante a guerra de 12 dias em junho de 2025.

"Não tivemos nenhuma reunião com o diretor-geral da AIEA, nem prevemos que a Agência inspecione as instalações nucleares iranianas danificadas pela agressão militar dos EUA e de Israel", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei.

No conflito, as instalações de Fordow, Natanz e Isfahan foram bombardeadas. A extensão dos danos permanece desconhecida, mas o presidente americano, Donald Trump, afirmou na época que havia "aniquilado" as capacidades nucleares da República Islâmica.

Trump voltou ao assunto nesta terça-feira, insistindo que o Irã concordou "plena e completamente" em permitir inspeções nucleares "no mais alto nível".

- "Serviços marítimos" -

O principal negociador do Irã alertou que o tráfego pelo estratégico Estreito de Ormuz, por onde passam 20% dos hidrocarbonetos do mundo, nunca mais será o mesmo de antes da guerra.

Irã e Omã anunciaram que fornecerão "serviços marítimos" sob uma administração conjunta da hidrovia.

A possibilidade de os navios terem que pagar um pedágio ganhou força nesta terça-feira, quando os dois países anunciaram que estão estudando os custos associados.

A rodada de negociações no luxuoso resort de Bürgenstock, na Suíça, fez com que os preços do petróleo despencassem.

O Departamento do Tesouro dos EUA indicou que suspendeu as sanções contra o Irã para permitir que o país produza, venda e forneça petróleo e derivados até meados de agosto.

Como parte do acordo, Washington concordou em liberar 12 bilhões de dólares (61,6 bilhões de reais) em ativos iranianos congelados, informou a agência de notícias iraniana Mehr.

- Frente libanesa -

O memorando de entendimento estabelece o fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo no Líbano, uma das principais exigências de Teerã.

Agora, representantes do Líbano e de Israel se preparam para uma quinta rodada de negociações em Washington, que começa nesta terça-feira.

As autoridades libanesas pedem a retirada das tropas israelenses do país e que as negociações sejam separadas do acordo entre os Estados Unidos e o Irã.

O Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio em 2 de março pelo Hezbollah, que agiu em defesa do Irã quando este foi atacado por EUA e Israel.

Embora os combates no Líbano tenham diminuído após a declaração de um novo cessar-fogo, soldados israelenses mataram duas pessoas nesta terça-feira que "estavam perto de uma escavadeira" em uma estrada no sul do país, segundo a imprensa estatal.

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D.Bruno--PV