Pallade Veneta - Le Pen mantém suspense sobre candidatura à presidência da França após condenação

Le Pen mantém suspense sobre candidatura à presidência da França após condenação


Le Pen mantém suspense sobre candidatura à presidência da França após condenação

A líder da extrema direita francesa Marine Le Pen mantém, nesta terça-feira (7), o suspense sobre sua candidatura à eleição presidencial de 2027, após uma condenação por desvio de fundos, que permite sua participação, mas a impede de fazer campanha "livremente".

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A decisão do Tribunal de Apelação de Paris era considerada crucial a dez meses da votação, quando a extrema direita lidera as pesquisas, mas ainda precisa confirmar quem será sua cabeça de chapa: Le Pen ou seu herdeiro político, Jordan Bardella, de 30 anos.

Uma primeira condenação, em março de 2025, a cinco anos de inabilitação imediata lhe impedia de se candidatar, mas o recurso lhe abriu novamente as portas, em nome da "livre escolha dos eleitores", "condição da expressão democrática".

A política, de 57 anos, deixou o tribunal de Paris sem prestar depoimento, dirigindo-se à sede de seu partido, Reagrupamento Nacional (RN), observaram jornalistas da AFP.

Espera-se que Le Pen confirme sua decisão final durante uma entrevista à TF1 às 18h GMT (15h no horário de Brasília) após se reunir com importantes líderes do RN, incluindo Bardella, seu presidente e candidato alternativo caso decida desistir da candidatura.

"Estamos analisando toda a decisão", comentou seu advogado, Rodolphe Bosselut, que se declarou "parcialmente" satisfeito com a sentença, mais favorável do que a imposta em primeira instância à filha do histórico líder da extrema direita, Jean-Marie Le Pen.

- Tornozeleira eletrônica -

Concretamente, impôs-lhe 15 meses de inelegibilidade, que consideram os meses que ela já cumpriu desde março de 2025, 100 mil euros (587 mil reais) de multa e um ano de prisão, que pode cumprir em casa com tornozeleira eletrônica.

A questão crucial agora é saber se a segunda colocada nas presidenciais de 2017 e 2022, vencidas pelo candidato de centro-direita Emmanuel Macron, está disposta a fazer campanha nessas condições.

Le Pen já advertiu na semana passada que só se candidataria se pudesse agir "livremente", sem ter de pedir autorização judicial para se deslocar, o que não seria possível com uma tornozeleira eletrônica.

Mas será que ela poderia mudar de ideia? Se conseguir redução de pena, poderá entrar de vez na campanha em janeiro.

Em Hénin-Beaumont, seu reduto na antiga região mineira do norte da França, muitos eleitores do RN esperam que ela concorra novamente, mesmo com uma tornozeleira eletrônica.

"Temos que parar de criar obstáculos para ela; afinal, preferimos Marine a Jordan", disse à AFP Pierre Pagniez, um pedreiro de 57 anos. "Que ela faça campanha com tornozeleira, que diferença faz?", acrescentou.

- Acontecimentos "sérios" -

Embora Bardella tenha uma intenção de voto melhor, chegando a 37% nas pesquisas, ambos lideram a corrida eleitoral, à frente dos ex-primeiros-ministros de centro-direita Édouard Philippe e Gabriel Attal, e do líder da esquerda Jean-Luc Mélenchon.

Todos estavam à espera do acórdão, que representa o tiro de largada da eleição de 18 de abril e 2 de maio de 2027, à qual o atual mandatário já não pode concorrer.

Embora Macron tenha se recusado a comentá-la, a oposição de esquerda criticou o fato de a "delinquente" Le Pen poder fazer campanha usando uma tornozeleira eletrônica. "É o indicador do grau de corrupção da nação", afirmou o deputado de esquerda François Ruffin.

A Justiça precisava decidir se Jean-Marie e Marine Le Pen colocaram em prática, entre 2004 e 2016, um sistema pelo qual os assistentes parlamentares de seu partido, pagos pelo Parlamento Europeu, trabalhavam na realidade para a Frente Nacional (FN), rebatizada como RN em 2018.

As magistradas apontaram um modo de funcionamento com fatos "graves", que permitiu desviar "mais de 2,8 milhões de euros (16,5 milhões de reais)" para "fins diferentes daqueles a que se destinavam".

Durante o julgamento em apelação, Le Pen negou ter cometido intencionalmente um crime, uma mudança de estratégia em relação ao tenso processo de 2025, que foi interpretada como uma forma de obter uma pena menor.

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C.Conti--PV