Pallade Veneta - Human Rights Watch acusa EUA de ter atacado três lanchas no Equador

Human Rights Watch acusa EUA de ter atacado três lanchas no Equador


Human Rights Watch acusa EUA de ter atacado três lanchas no Equador
Human Rights Watch acusa EUA de ter atacado três lanchas no Equador / foto: Lionel Bonaventure - AFP/Arquivos

Três embarcações teriam sido supostamente atacadas por forças americanas na costa equatoriana entre janeiro e março deste ano, com um saldo de pelo menos oito desaparecidos, embora os Estados Unidos tenham rejeitado qualquer responsabilidade, afirmou a organização Human Rights Watch nesta terça-feira (21).

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A ONG de direitos humanos denuncia torturas e detenções arbitrárias na campanha militar conjunta de Washington e Quito contra o crime organizado, sobretudo durante uma operação militar em março em San Martín, uma aldeia na fronteira com a Colômbia.

"Entre janeiro e março, as embarcações pesqueiras 'La Negra Francisca Duarte II' e 'Don Maca' foram atacadas no Pacífico. Uma terceira embarcação, 'Fiorella', desapareceu em 20 de janeiro com oito de seus tripulantes", detalha um relatório.

"O Departamento de Defesa e a Guarda Costeira dos Estados Unidos negaram qualquer responsabilidade pelos ataques", acrescenta o texto.

Segundo uma contagem da AFP, desde 2 de setembro de 2025 foram registrados pelo menos 53 ataques no Pacífico e no Caribe, com ao menos 215 mortos.

"A investigação da Human Rights Watch, que inclui entrevistas com 13 sobreviventes, indica que é mais provável que as autoridades americanas tenham tido algum grau de participação nesses ataques ou tenham tido conhecimento deles", afirma o texto.

"Não houve nem um vídeo nem um reconhecimento direto de responsabilidade por parte do governo dos Estados Unidos", explicou Juanita Goebertus, diretora para as Américas da HRW, em entrevista coletiva.

- Acusações de torturas e prisões -

O governo do presidente Donald Trump começou a designar vários grupos criminosos na América Latina como organizações terroristas em fevereiro de 2025 e, em setembro, iniciou seus ataques contra supostas 'narcolanchas', primeiro no Caribe e depois no Pacífico.

Ao mesmo tempo, países como o Equador anunciaram publicamente o reforço de sua cooperação militar com o Pentágono.

Estes ataques foram denunciados como execuções extrajudiciais por organizações de direitos humanos.

O Pentágono reivindica pontualmente cada ataque e já publicou dezenas de vídeos na rede X. Nessas mensagens, o Comando Sul costuma afirmar que as embarcações estavam envolvidas com o tráfico de drogas e que utilizavam rotas de narcotraficantes conhecidas pelas forças de segurança.

"O Congresso dos Estados Unidos deveria examinar com urgência estes incidentes e a relação de cooperação em matéria de segurança entre Equador e Estados Unidos", pede a HRW em seu relatório.

A organização afirma que entrevistou 62 pessoas e analisou uma centena de fotos e vídeos para elaborar o relatório.

"Em 17 e 26 de março, respectivamente, 'La Negra Francisca Duarte II' e 'Don Maca' foram atacados por drones armados, relataram seus tripulantes", acrescenta o texto.

Os sobreviventes contam quem cidadãos americanos armados, vestidos com uniformes militares com a bandeira dos Estados Unidos, os detiveram e os entregaram à Guarda Costeira salvadorenha, de acordo com o documento.

O texto também recorda a operação militar conjunta de forças americanas e equatorianas em San Martín, região considerada de alto tráfico de drogas e armas.

"O que realmente descobrimos é que o exército equatoriano chegou à comunidade, deteve quatro trabalhadores de uma fazenda e os torturou", afirmou em coletiva de imprensa Federico Borello, diretor executivo adjunto da HRW.

Os supostos detidos foram levados para uma base militar, onde foram novamente torturados e interrogados e posteriormente libertados, sem acusações, denunciam os investigadores.

O governo equatoriano nega todas as acusações.

B.Fortunato--PV

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