Imigrantes haitianos nos EUA inseguros com fim de status de proteção
Dezenas de milhares de haitianos enfrentam a perspectiva de ter de deixar os Estados Unidos por conta própria ou serem deportados, com o fim, nesta segunda-feira (27), do Status de Proteção Temporária (TPS, na sigla em inglês), que desde 2010 lhes permitia viver e trabalhar legalmente no país.
No mês passado, a Suprema Corte decidiu que o governo Trump poderia revogar o Status de Proteção Temporária para os haitianos e para cerca de 6 mil sírios sem necessidade de revisão judicial. O impacto da decisão pode afetar imigrantes de outros países.
Estima-se que cerca de 350 mil haitianos vivam nos Estados Unidos sob esse programa, e muitos trabalham nos setores de saúde e da construção civil.
A presidente da Associação de Enfermeiros de Nova York, Nancy Hagans, declarou à AFP que milhares de seus filiados não poderão mais trabalhar após o fim do TPS para os haitianos, a partir da meia-noite desta segunda-feira.
Hagans recomendou aos afetados que deixassem seus assuntos em ordem caso fossem alvo de operações de fiscalização imigratória.
"Estamos dizendo a eles que coloquem seus documentos em ordem. Se tiverem dinheiro no banco, que se certifiquem de retirá-lo. Alguns deles são proprietários de suas casas. Estão aqui há 26, 27 anos e construíram uma vida neste país."
"É como estar na prisão sem ter feito nada de errado", disse à AFP uma profissional de saúde haitiana beneficiária do TPS, que ainda não havia decidido o que fazer.
Desde o retorno de Donald Trump à Presidência, em 2025, como parte de sua rígida ofensiva contra a imigração, seu governo revogou o TPS para imigrantes de mais de uma dezena de países, entre eles Venezuela, Nicarágua, Honduras e Somália.
O TPS oferece proteção contra a deportação a pessoas provenientes de países considerados inseguros em razão de guerras, desastres naturais ou outras circunstâncias extraordinárias.
"Muitas pessoas da diáspora haitiana estão preocupadas com o que isso significa para suas famílias e se voltar ao Haiti é seguro ou viável diante das condições atuais", afirmou a artista haitiano-americana Lyne Lucien.
Há décadas, o Haiti enfrenta pobreza extrema, corrupção, instabilidade política e desastres naturais, como o devastador terremoto de 2010.
Desde o início de 2024, o país também sofre com a violência das gangues, que controlam quase toda a capital, Porto Príncipe.
A.Rispoli--PV