Pallade Veneta - Milhares de pessoas entram em Ceuta em nova crise migratória

Milhares de pessoas entram em Ceuta em nova crise migratória


Milhares de pessoas entram em Ceuta em nova crise migratória
Milhares de pessoas entram em Ceuta em nova crise migratória / foto: Abdel Majid BZIOUAT - AFP

Quase 40 mil pessoas atravessaram a fronteira entre Marrocos e Ceuta nos últimos dias, afirmou nesta sexta-feira (31) uma fonte policial, o que provocou a mobilização do Exército no território espanhol do norte da África.

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As chegadas não cessaram durante a noite e prosseguem nesta sexta-feira. Dezoito pessoas morreram quando tentavam chegar a Ceuta, um pequeno território de 80.000 habitantes, indicou a mesma fonte.

"Durante toda a noite houve um fluxo" e, embora tenha sido menor do que durante o dia, "milhares" de migrantes "continuaram chegando e seguem chegando", acrescentou a fonte.

Jornalistas da AFP observaram na quinta-feira um fluxo constante de pessoas entrando na cidade autônoma. Os migrantes deixam para trás boias e roupas espalhadas pela areia, perto do lugar onde a cerca fronteiriça alcança o mar.

No Marrocos, milhares de jovens se reuniram durante a noite no centro da cidade de Fnideq (Castillejos), próxima da fronteira com o enclave espanhol.

Alguns afirmaram ter ouvido que "a fronteira estava aberta".

Ainda não está claro o que provocou a súbita onda de migrantes procedentes do Marrocos, principalmente homens jovens e adolescentes.

O contexto recorda maio de 2021, quando mais de 10 mil pessoas cruzaram a fronteira em apenas dois dias, aproveitando uma flexibilização dos controles por parte de Rabat durante uma disputa diplomática com a Espanha.

O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez deve visitar Ceuta, onde se reunirá com as forças de segurança na fronteira e depois com as autoridades regionais, acompanhado pelo ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska

- Crise diplomática -

O governo espanhol anunciou o envio de soldados para auxiliar a Guarda Civil a "manter a segurança" no território da costa norte da África.

O Ministério do Interior indicou que estabeleceu um acordo com Rabat sobre medidas para devolver "o mais rápido possível ao Marrocos todas as pessoas que entraram ilegalmente em Ceuta".

Até o momento, as autoridades marroquinas não publicaram nenhuma declaração oficial.

As imagens impactantes das pessoas atravessando a fronteira já provocaram consequências diplomáticas.

A Itália pediu na quinta-feira a suspensão da Espanha do espaço Schengen de livre circulação, por sua política migratória "equivocada". O governo espanhol convocou o embaixador italiano em Madri.

Dois funcionários de alto escalão da Casa Branca também reiteraram as posições do governo de Donald Trump a respeito da imigração utilizando um vídeo de Ceuta.

Por sua vez, a França anunciou nesta sexta-feira que reforçará os controles na fronteira espanhola devido à crise.

Esta é a maior chegada de migrantes desde 2021 e ocorre após a visita de Sánchez à Argélia em 20 de julho, a primeira em quatro anos de um chefe de Governo espanhol, depois de um período de tensões diplomáticas entre os dois países.

A entrada de mais de 10 mil migrantes em Ceuta em maio de 2021 aconteceu quando Rabat flexibilizou os controles fronteiriços devido a uma crise diplomática relacionada ao Saara Ocidental.

O governo do Marrocos expressou indignação na época porque a Espanha recebeu em seu território, para tratamento médico, o líder da Frente Polisário, apoiada pela Argélia e que luta pela independência do Saara Ocidental.

A crise diplomática chegou ao fim em 2022, após uma mudança de postura de Madri no tema delicado, abandonando sua neutralidade e reconhecendo um plano de autonomia proposto por Rabat para esta ex-colônia espanhola.

H.Lagomarsino--PV

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