Pallade Veneta - Netanyahu rejeita plano para Gaza e volta a se distanciar de Trump

Netanyahu rejeita plano para Gaza e volta a se distanciar de Trump


Netanyahu rejeita plano para Gaza e volta a se distanciar de Trump
Netanyahu rejeita plano para Gaza e volta a se distanciar de Trump / foto: Omar AL-QATTAA - AFP

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, rejeitou neste domingo (9) o plano para a Faixa de Gaza apoiado pelo presidente dos Estados Unidos e aceito pelo Hamas, em um novo distanciamento de seu aliado Donald Trump.

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Nikolai Mladenov, alto representante do "Conselho de Paz" para a Faixa de Gaza criado pelo presidente americano, disse ao canal de TV israelense 12, no entanto, que se trata do "único caminho" para evitar um ataque semelhante ao de 7 de outubro de 2023".

Pressionado por seus aliados de extrema direita, o premiê vinha há mais de uma semana intensificando suas críticas ao plano anunciado no fim de julho por Trump, que prevê o desarmamento do Hamas e a retirada israelense do território palestino.

"Israel rejeita o documento de 15 pontos. As FDI (Forças de Defesa de Israel) não realizarão nenhuma retirada até que o Hamas esteja efetivamente desarmado e continuarão neutralizando as ameaças contra nossas forças e nossos cidadãos", declarou Netanyahu, em reunião de gabinete.

O documento é, teoricamente, etapa final de um cessar-fogo impulsionado pelos Estados Unidos e anunciado em outubro, que reduziu, mas não encerrou as operações israelenses em Gaza.

O Hamas, no poder na Faixa de Gaza desde 2007, aceitou o acordo pelo qual deveria entregar suas armas a uma recém-criada autoridade palestina encarregada de governar o território durante um período de transição.

Um membro do gabinete político do movimento, Basem Naim, disse à AFP que os Estados Unidos deveriam pressionar "Netanyahu e seu governo para que sigam o roteiro e não obstruam o processo por razões políticas internas e eleitorais".

- 'Sabemos como nos manter firmes' -

Em seu discurso, Netanyahu se referiu a Trump como seu "maior amigo na Casa Branca", mas não hesitou em se distanciar de sua estratégia, como já havia feito no contexto da guerra contra o Irã.

O premiê afirmou que Israel estava conversando com os Estados Unidos sobre suas objeções. "Eles têm ideias; algumas são aceitáveis para nós e outras não, e sabemos como nos manter firmes nestas questões", disse.

Autoridade israelense há mais tempo no poder, Netanyahu busca a reeleição nas eleições legislativas de 27 de outubro, as primeiras desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.

As pesquisas de intenção de voto o colocam empatado ou até atrás em relação aos seus adversários. Também indicam que o plano para Gaza é muito impopular entre sua base eleitoral conservadora e a de seus aliados de extrema direita.

Há pouco tempo, o primeiro-ministro israelense fazia campanha destacando a solidez de sua relação com Trump, que desde seu primeiro mandato tomou medidas sem precedentes em apoio a Israel, como transferir a embaixada para Jerusalém.

Na semana passada, quando Israel e Líbano mantinham negociações mediadas pelos Estados Unidos, Netanyahu ordenou novos ataques contra o país vizinho em resposta a uma suposta violação do cessar-fogo por parte do movimento Hezbollah, apoiado pelo Irã.

- 'Desarmamento real' -

O último embate entre ambos é o acordo para o desarmamento do Hamas, que Trump havia qualificado como "um passo monumental rumo à paz e segurança duradouras". O plano inicial estabelecia que Israel começaria a retirar suas forças paralelamente ao desarmamento.

Após se reunir com Netanyahu na semana passada, o Conselho de Paz recuou e afirmou que Israel só teria de se retirar depois de um desarmamento "completo".

Contudo, Netanyahu insistiu em que o Hamas deve entregar todas as suas armas. "Estamos falando de um desarmamento real, não de um desarmamento fictício", declarou.

O alto representante para a Faixa de Gaza mencionou hoje a existência de discussões com Israel e manifestou esperança de que elas "levem a uma saída positiva para todos". "Se houver um desarmamento verdadeiro, Israel vai se retirar."

L.Guglielmino--PV

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