Pallade Veneta - Vítimas da guerra no Afeganistão seguem sem obter justiça, afirma ONU

Vítimas da guerra no Afeganistão seguem sem obter justiça, afirma ONU


Vítimas da guerra no Afeganistão seguem sem obter justiça, afirma ONU
Vítimas da guerra no Afeganistão seguem sem obter justiça, afirma ONU / foto: Wakil KOHSAR - AFP

A maioria das vítimas civis da guerra no Afeganistão (2001-2021) ainda não recebeu "justiça, reparações ou reconhecimento", denunciou a ONU em um relatório divulgado nesta terça-feira (1º).

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Há quase 25 anos, os Estados Unidos intervieram no Afeganistão em resposta aos ataques de 11 de setembro em Nova York. Seguiram-se duas décadas de conflito, marcadas por abusos e violência contra a população civil.

Mais de 40.000 civis morreram e 77.000 ficaram feridos em ataques dos talibãs e do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), assim como em operações das forças afegãs e da coalizão liderada pelos Estados Unidos, segundo a Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (Unama).

Na província de Logar, ao sul de Cabul, Khan Yusufi, um agricultor de 46 anos, ainda aguarda justiça anos após a morte de seu filho de oito anos.

Segundo seu relato, o menino brincava em frente à sua casa quando um veículo blindado da polícia da antiga República Afegã abriu fogo, o que provocou a morte na hora. Sua esposa correu para ajudá-lo e também foi atingida por disparos, sofrendo ferimentos graves.

Yusufi apresentou queixas à polícia, ao governador e aos serviços de segurança do governo da época, mas afirma que nunca recebeu resposta. "Tentamos de tudo, fomos a todos os lugares... mas ninguém nos ouviu", diz ele.

Segundo a Unama, a maioria das vítimas que buscaram justiça não obteve sucesso.

A organização observa que um plano oficial de "Paz, Reconciliação e Justiça" nunca foi totalmente implementado e que o acordo de 2020 entre os Estados Unidos e os talibãs não incluiu disposições sobre os direitos das vítimas nem mecanismos de responsabilização.

A ONU também destaca que, após retornarem ao poder em 2021, os talibãs aprovaram uma lei de anistia e nunca expressaram publicamente qualquer intenção de processar as violações do direito humanitário cometidas durante a guerra.

A.Graziadei--PV

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