Pallade Veneta - Venezuela 'precisa de muito mais que dinheiro', diz opositora Machado após acordo com EUA

Venezuela 'precisa de muito mais que dinheiro', diz opositora Machado após acordo com EUA


Venezuela 'precisa de muito mais que dinheiro', diz opositora Machado após acordo com EUA
Venezuela 'precisa de muito mais que dinheiro', diz opositora Machado após acordo com EUA / foto: RONALDO SCHEMIDT - AFP/Arquivos

A líder da oposição venezuelana e ganhadora do Nobel da Paz, María Corina Machado, disse, nesta quinta-feira (3), que a Venezuela "precisa de muito mais que dinheiro", após o inédito acordo petroleiro alcançado entre os Estados Unidos e o governo interino de Delcy Rodríguez.

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Em um vídeo gravado do exílio e publicado no X, Machado disse que "o setor petroleiro é só uma parte da imensa reconstrução" na Venezuela", que "requer investimentos colossais".

"Em um país com as dimensões e a fragilidade institucional da Venezuela, nenhum setor poderá funcionar de forma isolada", assegurou Machado, que deixou a Venezuela de forma clandestina em dezembro para receber o Prêmio Nobel da Paz e atualmente reside no Panamá.

O presidente americano, Donald Trump, anunciou na semana passada a assinatura de um acordo "histórico" com a Venezuela, que outorga ao seu país 20% da gigantescas reservas de petróleo venezuelano.

O convênio dá aos Estados Unidos o controle de 65 bilhões de barris de petróleo em 17 campos em diferentes regiões do país.

"Tudo isso dá à Venezuela um valor estratégico extraordinário tanto para a segurança nacional dos Estados Unidos quanto para a estabilidade do hemisfério. Mas o patrimônio do nosso solo não pertence a um REGIME ILEGÍTIMO, pertence ao povo venezuelano", disse Machado.

Após a assinatura, na quarta-feira, de acordos com multinacionais petroleiras, como Chevron e Eni, em Caracas, Trump e Delcy Rodríguez concordaram em destacar que a Venezuela não está pronta para realizar eleições.

A mensagem da líder opositora vem oito meses depois da captura do presidente Nicolás Maduro em uma operação militar americana.

Machado defendeu a sociedade com os Estados Unidos, mas assegurou que o país deve trabalhar "sob os princípios inegociáveis de transparência absoluta, legalidade e eficiência".

Isto "só é possível com a legitimidade e a estabilidade que um governo sério e democrático oferece", disse.

A oposição denuncia fraude de Maduro nas últimas eleições presidenciais de 2024 e reivindica a vitória nesse pleito de Edmundo González, candidato apadrinhado por Machado.

A líder opositora foi inabilitada politicamente e não pôde se candidatar na ocasião.

Em agosto, começou em Caracas um diálogo político entre o governo interino e parte da oposição com vistas a uma transição democrática, mas Machado não foi convidada.

A líder opositora promete voltar à Venezuela, mas especialistas apontam que Washington não vê seu retorno com bons olhos.

"Sei o que vocês estão sentindo: tristeza, raiva e esse mal-estar tão repetido na nossa história de que alguém decida sobre o que é nosso, em nosso nome, em contar conosco", disse Machado em sua mensagem, ao destacar a "profunda preocupação pelas implicações que tem" para o futuro da Venezuela.

A Venezuela tem as maiores reservas certificadas de hidrocarbonetos do mundo, com mais de 300 bilhões de barris. Mas sua produção segue muito limitada após décadas de investimento insuficiente, sanções e corrupção.

M.Jacobucci--PV

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