Pallade Veneta - Guerra divide iranianos nos EUA

Guerra divide iranianos nos EUA


Guerra divide iranianos nos EUA
Guerra divide iranianos nos EUA / foto: Amid FARAHI - AFP

Quando a guerra no Irã começou, há sete meses, Soroush, um iraniano-americano que vive na região metropolitana de Washington D.C., perdeu rapidamente vários amigos.

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Artista 3D e animador, Soroush chegou aos Estados Unidos há cerca de dez anos.

Desde o início da guerra lançada pelos Estados Unidos e por Israel, em 28 de fevereiro, ele se recorda de discussões sobre o conflito com amigos e até com seu irmão e sua cunhada.

Soroush odeia a liderança iraniana, mas acredita que "nada vai melhorar" com a guerra.

"As pessoas [no Irã] vão perder amigos e familiares. Vão perder seus empregos e suas economias", diz aos que apoiam o conflito, citando como exemplos guerras anteriores travadas pelos Estados Unidos no Oriente Médio.

"São elas que vivem essa realidade, não a diáspora iraniana", declarou à AFP, sem revelar o sobrenome.

A comunidade iraniana nos Estados Unidos se opõe majoritariamente ao regime da República Islâmica. Seu líder supremo, Ali Khamenei, foi assassinado no primeiro dia da ofensiva americano-israelense contra o Irã, em 28 de fevereiro, e sucedido pelo filho, Mojtaba Khamenei.

A possibilidade de esta guerra acabar com o regime que está há 47 anos no poder divide profundamente os 750 mil integrantes da comunidade.

"As relações familiares foram afetadas e até rompidas. (...) Até amizades de longa data terminaram por causa disso", explicou Sahar Razavi, diretora do Centro de Estudos Iranianos e do Oriente Médio da Universidade Estadual da Califórnia em Sacramento.

- "O caminho certo" -

Sentadas à mesa de uma cafeteria no centro de Washington, Bahar, que preferiu não revelar o sobrenome, e Aahoo Sigarchi apoiam a guerra iniciada pelo presidente americano.

"Todos temos familiares e amigos no Irã e simplesmente expressamos aquilo que eles não podem dizer", afirmou Aahoo Sigarchi, apoiadora de Reza Pahlavi, filho exilado do último xá do Irã, que convocou um levante popular antes de mobilizar parte da diáspora.

Segundo ela, a repressão aos protestos em janeiro de 2026 justificou uma ação militar para derrubar os líderes iranianos.

"Acho que estamos no caminho certo com esta guerra e que em breve conseguiremos o que as pessoas buscam", acrescentou. Sigarchi rejeita as críticas à operação militar liderada pelos Estados Unidos.

"Sejamos realistas, não temos outra opção", concluiu.

Nos Estados Unidos, a guerra continua sendo amplamente impopular, sobretudo devido ao aumento dos preços dos combustíveis provocado pelo conflito.

Segundo uma pesquisa realizada pelo Conselho Nacional Iraniano-Americano, uma organização contrária à guerra, o apoio ao conflito diminui rapidamente dentro da diáspora.

No início, as opiniões favoráveis e contrárias à guerra estavam igualmente divididas, mas uma segunda pesquisa realizada um mês depois mostrou que 66,1% dos entrevistados se opunham aos ataques americanos.

- "Luta pela libertação" -

Segundo Sahar Razavi, do Centro de Estudos Iranianos e do Oriente Médio, aqueles que se opõem à guerra e duvidam que uma operação externa possa provocar uma mudança de regime tiveram suas convicções reforçadas.

Uma minoria significativa chegou inclusive a se alinhar ao regime iraniano, acrescentou.

Mohammad Reza Mousavi, que trabalhou como jornalista em Teerã e se opõe tanto à guerra quanto ao governo iraniano, afirma perceber uma diminuição do apoio ao conflito. Ele também lamenta a falta de tolerância daqueles que defenderam a guerra.

"Podem facilmente atribuir a você todos os tipos de rótulo assim que percebem que você não compartilha totalmente as opiniões deles", afirmou.

Segundo Razavi, organizações iranianas que ofereciam aulas de persa foram "difamadas" por não apoiarem publicamente a "luta pela libertação".

Bahar, por sua vez, afirmou que foi chamada de fascista por ter votado em Donald Trump e perdeu cem seguidores no Instagram.

Ela também tirou o filho de oito anos de uma escola de arte iraniana depois que uma professora mencionou repetidamente o conflito.

A.Rispoli--PV

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