Pallade Veneta - Ataque maciço ucraniano atinge Moscou no encerramento das legislativas

Ataque maciço ucraniano atinge Moscou no encerramento das legislativas


Ataque maciço ucraniano atinge Moscou no encerramento das legislativas
Ataque maciço ucraniano atinge Moscou no encerramento das legislativas / foto: - - AFP

A Rússia sofreu, neste domingo (20), um ataque em larga escala com mais de 1.600 drones ucranianos, durante o terceiro e último dia das eleições parlamentares, destinadas a reforçar o poder do Kremlin após quatro anos e meio de guerra.

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Foi o ataque mais amplo contra Moscou desde o início da ofensiva russa na Ucrânia, em 2022. Mais de 1.600 drones foram interceptados, dos quais 450 seguiam para a capital, disse o prefeito, Sergei Sobyanin.

Nos arredores da cidade, um drone atingiu um grande edifício residencial e deixou a fachada queimada, com vários andares destruídos. O ataque também provocou um incêndio em uma refinaria, produzindo uma coluna de fumaça preta.

Os ataques ocorreram na madrugada do terceiro e último dia das eleições parlamentares, nas quais ninguém duvida da vitória do partido governante Rússia Unida, que apoia o presidente Vladimir Putin.

Uma pesquisa de boca de urna divulgada neste domingo no fechamento das seções pelo estatal Centro de Pesquisa da Opinião Pública da Rússia (VCIOM) projetou que o Rússia Unida obteve 49,4% dos votos, seguido do Partido Comunista e do partido nacionalista LDPR, com 14,2% e 10,7%, respectivamente.

O Rússia Unida venceu todas as eleições parlamentares desde 2003 e enfrenta outros quatro partidos que apoiam a maioria das políticas de Putin e a ofensiva na Ucrânia.

O único partido contrário à guerra, o Yabloko, foi excluído da votação há poucas semanas pelo Supremo Tribunal.

- "Ataque sem precedentes" -

Estas são as primeiras eleições legislativas desde o início da campanha militar na Ucrânia, um conflito que, nos últimos meses, se tornou especialmente presente na vida cotidiana dos russos.

Em represália aos bombardeios contra suas cidades, a Ucrânia intensificou os ataques contra a Rússia, atingindo locais distantes, como os Urais e a Sibéria, e provocando escassez de combustível com as ações contra refinarias.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, assegurou que os ataques deste domingo tiveram "um impacto muito importante na região de Moscou".

Pelo menos duas pessoas morreram nos ataques deste domingo, informou o governador da região de Moscou, Andrei Vorobiov. Além disso, 400 pessoas foram retiradas de um prédio residencial devido a um incêndio, acrescentou.

Outro drone ucraniano também atingiu um ônibus na região de Kherson, no sul da Ucrânia, controlada pela Rússia. O ataque deixou dois mortos, incluindo uma funcionária da Comissão Eleitoral, segundo o organismo.

"O ataque sem precedentes foi claramente planejado com o objetivo de perturbar as eleições. O inimigo não conseguiu", declarou o prefeito Sobyanin.

O Ministério da Defesa também acusou a Ucrânia de querer "perturbar a vontade democrática dos cidadãos russos" e prometeu "intensificar" seus ataques contra Kiev.

- "Não ganho o suficiente para viver" -

Iniciada na sexta-feira, a votação para renovar as 450 cadeiras da Duma, a Câmara Baixa do Parlamento, se encerrou neste domingo às 21h00 locais (15h00 de Brasília).

Em Moscou, o programador Igor Safronov, de 30 anos, admitiu ter votado no último partido "porque, antes de tudo, não queria votar no Rússia Unida".

Uma das dúvidas é a participação, que passava de 50% no meio do dia deste domingo, segundo a Comissão Eleitoral.

Antes das eleições, Putin conclamou a população a participar por considerar o voto uma demonstração de apoio às tropas russas, assim como uma "resposta conjunta àqueles que querem enfraquecer a Rússia".

Vitali Ivanov, um aposentado de 63 anos, disse à AFP, neste domingo, que votou "nos comunistas". "Tenho uma aposentadoria pequena, não ganho o suficiente para viver", explicou.

Outra eleitora, Tatiana, não escondia, no sábado, seu apoio ao Rússia Unida. "É o maior partido, o que mais trabalha e o mais produtivo", disse a mulher de 71 anos.

- Ciberataque -

Os adversários políticos de Putin foram, em sua maioria, empurrados para o exílio e seu principal opositor, Alexei Navalny, morreu em uma prisão no Ártico em 2024.

Entre os opositores do Kremlin, houve divergências sobre a estratégia que deveria ser adotada nas eleições.

A viúva de Navalny, Yulia Navalnaya, pediu aos russos contrários à guerra que votassem de forma sincronizada ao meio-dia de domingo, uma tática utilizada nas eleições presidenciais de 2024.

Mas o partido Yabloko discordou e argumentou que era melhor optar pela abstenção.

Dezenas de opositores russos se manifestaram em Berlim e Londres, com palavras de ordem como "A Rússia será livre", "Não à guerra" e "Digam não a Putin".

A votação também aconteceu de forma eletrônica em quase 30 regiões. Neste domingo, a Comissão Eleitoral denunciou que quase mil ciberataques foram registrados contra a infraestrutura das eleições.

A presidente da Comissão Eleitoral Central, Ella Pamfilova, não apontou um responsável específico, mas disse que os ataques pareciam obra de "grupos altamente profissionais e bem coordenados que utilizam ferramentas de inteligência artificial".

bur/rmb/dbh-erl/fp/mvv

A.Rispoli--PV

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