Lula, o presidente analógico, se rende ao vídeo selfie para atrair eleitores
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não tem celular, desconfia das telas e ironiza a "geração do dedinho". Mas, nesta quarta-feira (7), a menos de um mês de completar 81 anos e com sua reeleição em risco, gravou seu primeiro vídeo selfie da campanha.
No último domingo, Lula (PT) perdeu o primeiro turno das eleições presidenciais para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de 45 anos, e tem pela frente um grande desafio para vencer o segundo turno, em 25 de outubro. Antes do pleito, as pesquisas atribuíam vantagem ao presidente perante o senador.
Para se recuperar, a equipe de campanha de Lula colocou o foco nas redes sociais, onde a direita leva anos de vantagem sobre a esquerda.
"O pessoal me enche o saco. A Janja levanta todo dia: 'Poxa, faz uma selfie'. Eu não gosto. Hoje, eu resolvi fazer", disse, referindo-se à primeira-dama Rosângela Lula da Silva, durante um encontro com jovens influenciadores, que reagiram ao anúncio com aplausos.
O vídeo, postado no Instagram e no TikTok, é um apelo à militância: "Bora, gente, pra rua. Vamos conversar com as pessoas. Você, que gosta do Brasil, que gosta da educação, da democracia, que quer ter emprego de qualidade, continuar estudando e ver o Brasil crescer, que precisa melhorar de vida, bora pra rua!"
Na quarta-feira, Lula tinha chamado influenciadores de seu campo político que acabaram de ser eleitos para o Congresso, entre eles Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), que aos 21 anos se elegeu a deputada federal mais jovem do país.
"Eu entendo que hoje o nosso maior panfleto está no telefone, na rede social", disse Ana Elisa a jornalistas.
A jovem contou que na véspera tinha trabalhado até a noite com a equipe de comunicação do presidente para levá-lo às redes sociais "de forma que ele fique confortável".
"Hoje quem domina todas as narrativas nas redes sociais é a extrema-direita", afirmou Ana Elisa, que tem quase três milhões de seguidores nas redes e que destacou que sua eleição foi fruto de dois anos de trabalho nas plataformas digitais.
O desafio não é simples para Lula.
"Eu não uso celular porque tenho a mão para fazer outras coisas", reconheceu Lula nesta quarta-feira. "E eu gosto de falar somente o essencial", completou.
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T.Galgano--PV